FANDOM



Sexta Temporada, Episódio 7 - Dr. Linus

Escrito por: Edward Kitsis & Adam Horowitz

Dirigido por: Mario Van Peebles


Primeiro Ato

[Ben corre pela selva escura, ele tropeça e cai. Pessoas passam com tochas por perto, ele se levanta e vai ao encontro delas.]

ILANA: [ao vê Ben] Onde está o Jarrah?

BEN: Eu estou bem, obrigado.

ILANA: Onde ele está?

BEN: Considerando que ele acaba de matar Dogen, eu não acho que vá se juntar a nós.

SUN: Quem é Dogen?

MILES: O cara encarregado do templo.

BEN: É, ele matou o interprete também.

ILANA: Tem certeza?

BEN: Ele estava perto dos corpos, segurando uma adaga ensaguentada, então sim, eu tenho bastante certeza.

SUN: [para Ilana] Você disse que estaríamos seguros no templo!

ILANA: Foi o que me disseram...

BEN: Bem, e quanto a praia?

ILANA: Que praia?

BEN: Onde enterramos Locke. Onde eles viveram. Pelo menos teremos água por perto, e é um território familiar. Alguém tem uma idéia melhor?

ILANA: Não. Vamos para a praia.

SUN: Naquela direção.

ILANA: Mexam-se.

---

[Flash-Sideway]

[Ben está dando aula de história na escola.]

BEN: Foi nessa ilha que tudo mudou. Que tudo, finalmente, ficou claro. Elba... foi onde Napoleão encarou seu maior teste. Porque o exílio não foi o pior de seu destino. O que foi verdadeiramente devastador para ele, foi a perda de seu poder. Claro, eles permitiram a ele manter o título de imperador, mas sem nenhum poder, era insignificante. Era preferível a ele estar morto.

[O sinal toca. Os alunos começam a se retirar da sala.]

BEN: Certo. Lembrem-se, amanhã, capítulos 5 e 6. Obrigado.

[Um homem aparece na entrada da sala.]

BEN: Diretor Reynolds, bom dia.

REYNOLDS: Venha comigo.

--

[Ben e o direto andam pelo pátio.]

REYNOLDS: Linus, houve uma pequena mudança de plano. Eu vou precisar de você para supervisionar a detenção, após as aulas, hoje.

BEN: O quê?

REYNOLDS: Na verdade, a semana inteira. Cortes, crise no orçamento, eventos acima de seu nível salarial... Não é necessário dizer que alguns de nós terá que trabalhar dobrado.

BEN: Mas, nós temos o clube de história, hoje. Aqueles garotos precisam de mim.

REYNOLDS: Tem cinco alunos no clube de história, Linus. Eles sobreviverão.

BEN: Não deveríamos encorajar aqueles com ambições?

REYNOLDS: Me poupe. O clube não é para eles, é para você. Faz você se sentir necessário. Infelizmente, por agora, você é necessário na detenção. Obrigado por sua compreensão, Linus.

[O diretor se retira deixando Ben para trás.]

BEN: É Dr. Linus, na verdade.

--

[Ben está pegando o seu almoço na geladeira da sala dos professores.]

ARTZ: Oh, pelo amor de... está arruinada! está arruinada! Oh...

BEN: Qual o problema, Leslie? [Ben senta-se na mesma mesa de Artz]

[Artz está tentando limpar algo em sua camisa.]

ARTZ: Bem, formaldeídos. Formaldeídos são o problema. Sabe o que tira formaldeídos? Nada. Talvez, se eu tivesse alguns malditos aventais de laboratório, eu não teria que pagar por estudantes incompetentes com uma nova ida à loja de departamento.

BEN: Corte no orçamento...

ARTZ: O quão difícil seria para o Reynolds demonstrar um pouco de amor pela ciência? Quero dizer, eu lido com equipamentos, lá dentro, dos anos 50. Por que isso?

BEN: O diretor Reynolds é um administrador. Ele não é um professor. Ele esqueceu o que o sistema público de educação significa.

ARTZ: É... verões de férias em troca de uma droga de pensão. Fico feliz em lembrá-lo.

BEN: Não. Cuidar das crianças, isso é o que é importante.

ARTZ: Ok, continue sonhando...

BEN: Bem, eu sei que você desistiu, mas eu me recuso.

LOCKE: Talvez, você devesse ser o diretor.

[Ben vê John Locke, em sua cadeira de rodas, numa mesa perto.]

ARTZ: Assim disse o substituto...

BEN: O que você quer dizer com eu deveria ser o diretor?

LOCKE: Parece que você se importa com esse lugar. E se o homem encarregado não se importa, então, talvez seja hora de uma mudança. BEN: Eu aprecio a opinião, mas quem me escutaria?

[Locke ergue a mão.]

LOCKE: Eu estou escutando.

[Ben fica pensativo sobre a possibilidade.]

---

[Ilana, Sun, Frank, Miles e Ben caminham pela selva.]

MILES: Que tal me contar o que aquela coisa lá atrás era?

BEN: Aquela coisa foi o que matou os amigos dela lá na estátua.

ILANA: E Jacob, certo? Matou Jacob, também.

BEN: Sim, claro, e Jacob...

ILANA: É claro...

[Ilana olha para Miles.]

ILANA: Você é o Miles, certo? Miles Straume? Você se comunica com os mortos?

MILES: Não tecnicamente, eu... eu posso te dizer como alguém morreu, recolher seus últmos pensamentos antes deles partirem, mas... eu preciso estar perto de seus corpos.

ILANA: Isso é o que sobrou do corpo de Jacob.

[Ilana entrega a pequena bolsa onde havia guardado as cinzas de Jacob.]

ILANA: Então me diga, Miles... como ele morreu?

[Miles se ajoelha, segurando a bolsa com as duas mãos. Ele fecha os olhos, e se concentra por alguns instantes.]

[Miles abre os olhos, e se levanta lentamente.]

MILES: Linus o matou.

BEN: O quê? Isso não e verdade!

ILANA: [para Miles] Tem certeza?

MILES: Ele estava sobre o corpo de Jacob com uma adaga ensanguentada, então... sim, eu tenho bastante certeza.

ILANA: Obrigada.

[Ela olha para Ben.]

ILANA: Jacob foi a coisa mais próxima que tive de um pai.

MILES: Uh-oh.

[O grupo continua marchando pela selva. Ben fica parado sem reação.]


LOST


Segundo Ato

[O grupo chega na praia.]

ILANA: Eu vou procurar por ferramenta, e começa a trabalhar em um abrigo. O resto de vocês, vejam se tem alguma comida sobrando. Talvez, acender um fogo.

MILES: Sim, um fogo vai consertar tudo...

[Ben se aproxima de Ilana que está juntando pedaços de fio.]

BEN: Tem algo que você quer que eu faça?

[Ela não respode.]

BEN: Sabe, esse psíquico é totalmente não confiável. Miles, na verdade, tentou me chantagear uma vez.

[Ilana se retira. Frank se aproxima.]

FRANK: Você faz amigos facilmente, não é?

---

[Flash-sideway]

[Ben retira uma refeição pronta do micro-ondas, e a serve ao seu pai. Sentado a mesa, respirando com auxilio de um cilindro de oxigênio.]

BEN: Eu fiz um prato de peru com aquele molho cranberry que você gosta.

ROGER: Não é o mesmo... Tava na promoção isso?

BEN: Não, pai... é orgânico. Eu estou tentando te deixar saudável.

ROGER: Bem, é um pouco tarde para isso. Como foi no trabalho?

[Ben troca o tanque de oxigênio de seu pai.]

BEN: Eu tenho doutorado em história europeia moderna, e mesmo assim estou dando uma de babá para delinquentes na detenção.

ROGER: Detenção, huh?

BEN: E a pior parte disso é que, enquanto tomo conta daqueles ingratos, não consigo evitar de pensar que, talvez, eu seja mais perdedor do que qualquer um deles.

ROGER: Essa não é a vida que eu queria pra você, Ben. Eu queria bem mais.

BEN: Eu sei.

ROGER: Por isso eu me alistei na maldita iniciativa Dharma, e levei você para aquela ilha, e... eles eram pessoas decentes. Mais inteligentes do que eu jamais serei. Imagine como nossas vidas teriam sido diferentes se tivéssemos ficado.

BEN: É, nós teríamos vividos felizes para sempre.

ROGER: Não, falo sério, Ben. Quem sabe o que você teria se tornado?

[Ben abre o novo tanque de oxigênio para Roger.]

BEN: E agora, se sente melhor?

ROGER: Ah sim. Obrigado.

[A campainha toca. Ben atende a porta, e vê Alex, para sua surpresa.]

BEN: Alex?

ALEX: Dr. Linus, onde você esteve hoje? Tivemos que cancelar o clube de história.

BEN: Oh, eu lamento. Eu devia ter colocado um aviso na porta. As reuniões do clube tiveram que ser adiadas. Estou na detenção a semana inteira.

ALEX: é mesmo? O que você fez?

[Ben sorri.]

BEN: O diretor Reynolds precisa de mim para tomar conta, então...

ALEX: O teste AP é nessa sexta. Eu estava meio que... contando com as aulas extras.

BEN: Certo, que tal isso? Amanhã de manhã. As sete na biblioteca, e você traz o café.

ALEX: Obrigada. Deus, você é o melhor, Dr. Linus.

BEN: O prazer é meu. Alex.

ALEX: Ok.

[Alex se retira.]

BEN: Até mais.

---

[Na praia, Sun se aproxima de Ilana.]

SUN: Com licença... Quanto tempo vamos ficar aqui?

ILANA: Eu te disse. Eu não sei ainda.

SUN: Preciso encontrar meu marido.

ILANA: Confie em mim. Se alguém quer encontrá-lo, sou eu. Mas, eu não sei onde procurar.

SUN: Por que quer encontrar Jin?

ILANA: Porque o seu último nome é Kwon, assim como o dele. E, eu não sei se devo proteger você, ele, ou ambos.

SUN: Nos proteger? Do que está falando?

ILANA: Vocês são candidatos. Para substituir Jacob.

SUN: Substituir ele? Para fazer o quê?

ILANA: Se você for escolhida, imagino que descobrirá.

SUN: Espere... você disse candidatos. Quantos são?

ILANA: Seis. Há apenas sei restando.

--

[Na selva, Hurley dorme profundamente.]

HURLEY: [falando dormindo] Salgadinho de queijo...

JACK: Hurley. Vamos, acorde.

[Hurley acorda assustado.]

JACK: Anda, vamos embora. Podemos chegar no templo ao anoitecer.

HURLEY: Estou com fome. Vamos tomar café da manhã primeiro.

JACK: Não, podemos comer no caminho.

HURLEY: Por que a pressa? Sabe, talvez devêssemos... ficar a vontade.

JACK: Por quê?

HURLEY: Porque sim.

JACK: Estou partindo, Hurley. você vem ou não?

[Relutante, Hurley segue Jack. Os dois encontram uma bifurcação no caminho. Jack segue firmemente por um caminho.]

HURLEY: Espera, cara. É por aqui.

JACK: Não, nós viemos por aqui.

HURLEY: Sim, mas isso foi um erro. Por aqui é mais rápido. Confie em mim, é logo ali. É um atalho.

JACK: Não, não é.

RICHARD: Ambos estão errados.

[Jack e Hurley veem Richard, que acaba de aparecer vindo da selva.]

RICHARD: O templo é por ali.

JACK: De onde você veio?

RICHARD: Você não acreditaria se eu contasse.

JACK: Tente.

RICHARD: Ainda não, mas se vocês querem ir ao templo, é por aqui.

[Richard se retira.]

HURLEY: Cara, você confia nesse sujeito?

JACK: Pelo menos ele não está me enrolando.

[Eles seguem Richard.]

--

[Na praia, Ben vasculha a antiga tenda do Sawyer.]

FRANK: Quando sair da biblioteca, me dê uma mão com a lenha.

BEN: Apenas procurando por algo útil.

[Ben encontra uma edição de Booty Babes.]

BEN: Deus... as coisas que as pessoas trazem em uma viagem.

[Ben continua vasculhando, e encontra uma garrafa com o rótulo da Oceanic.]

BEN: Oceanic... Eu lembro daquele avião se partindo em dois como se fosse ontem.

FRANK: Você parece nostálgico.

BEN: Talvez eu seja.

FRANK: Sabe, eu devia estar pilotando ele. Oceanic 815.

BEN: E por que não pilotou?

FRANK: Perdi a hora.

BEN: Qual é...

FRANK: Dá pra acreditar? Imagine como minha vida seria diferente, se aquele alarme tivesse disparado.

BEN: Como seria diferente? A ilha acabou te pegando no final. Não foi?

[Frank sorri e se retira. Ben está sorridente, quando de repente, Ilana encosta o rifle no pescoço dele.]

ILANA: Ande.

[Ela leva Ben até o cemitério do acampamento.]

BEN: Ok, espere, você não precisa...

ILANA: Pare! Deite! Cara no chão!

[Ben obedece. Ela o amarra a uma árvore, usando o fio que havia recolhido do acampamento.]

BEN: O que está fazendo? Olha, se é sobre o que Miles disse...

ILANA: Pegue-a

BEN: O quê?

ILANA: Pegue-a e comece a cavar!

[Ben pega a pá de bambu.]

BEN: Cavar o quê?

ILANA: Uma cova.

BEN: Para quem?

ILANA: Você matou o Jacob. É para você.

Terceiro Ato

[Ben e Alex estão sentados junto a uma mesa na biblioteca.]

BEN: Agora, você sabe essa. Sei que sabe.

ALEX: Expandiu os poderes do Lorde Cornwallis como governador geral.

BEN: Muito bom. Agora, indo para o decreto de 1813. Na época do decreto, o poder da Companhia das Índias Ocidentais expandiu-se por toda Índia, menos...

ALEX: Uh... Eu não sei.

BEN: Tudo bem, tudo bem. É apenas um teste.

ALEX: Apenas um teste? Ha... é apenas minha vida inteira, Dr. Linus.

BEN: Alex, eu acho que você está sendo dramática demais.

ALEX: Estou? Minha mãe tem dois empregos para pagar o nosso aluguel. Como eu vou pagar a universidade? Sem contar Yale? Presumindo que eu sequer entre...

BEN: Você é uma das melhores alunas que já tive. Eu não temo nem um pouco pelo seu futuro.

ALEX: Sério?

BEN: Sério. Então, o que eu posso fazer para ajudá-la? Eu escreverei uma ótima carta de recomendação. Eu...

ALEX: Não, eu preciso de uma de alguém que esteve lá. Infelizmente, a única pessoa que conheço é aquele pervertido do diretor Reynolds.

BEN: Como é? Pervertido?

ALEX: Esquece que eu disse isso. Eu só estava com raiva.

BEN: Alex... o diretor Reynolds... fez algo com você?

ALEX: O quê? Ew! Não... eu juro... não é isso.

BEN: Então o que é?

ALEX: Dr. Linus, se eu contar, promete manter entre nós.

BEN: É claro, eu prometo.

ALEX: Ok.

[Alex se aproxima de Ben.]

ALEX: Então, eu estava na enfermaria alguns meses atrás... eu tive uma dor no estômago, e eu apenas fui lá para descansar, e eu adormeci... quando eu acordei, depois da aula, na outra sala, o diretor Reynolds estava lá. E a enfermeira... bem, eu acho que ela esqueceu que eu estava lá. Eles estavam... você sabe... fazendo aquilo! Na sala próxima a mim! Onde eles fazem testes de audição nas crianças! Isso não é totalmente nojento?

BEN: Totalmente.

ALEX: Dr. Linus, você não vai dizer nada, vai?

BEN: Não. Não, uma promessa é uma promessa. Bem... podemos retornar ao alto mar?

ALEX: Sim, claro.

---

[Na praia, Ben cava sua cova lentamente, enquanto Ilana vigia a distância. Miles se aproxima trazendo um embrulho de folha de bananeira.]

MILES: Não está avançando muito na frente da cavação, está?

BEN: Não estou com muita pressa.

MILES: Te trouxe um rango. Espero que goste de vargem e banana, porque é tudo que temos.

BEN: Não estou com fome.

MILES: Você que sabe.

[Miles se vira para ir embora.]

BEN: Miles... lembra daquela vez que você me pediu 3.2 milhões de dólares? Você ainda quer?

MILES: O que você vai fazer? Me fazer um cheque nessa folha de bananeira?

BEN: Eu posso sair dessa ilha. E, quando eu sair, eu tenho uma vasta rede de pessoas e recursos que vão conseguir esse dinheiro. Tudo que tem que fazer é me soltar.

MILES: Por que eu precisaria do seu dinheiro, quando tem um casal de manés ai embaixo, chamados Nikki e Paulo, que foram enterrados vivos com 8 milhões em diamantes por cima deles?

BEN: Eu não acredito que você vai ficar parado e assistir isso acontecer. Ilana vai me matar por assassinar o Jacob, um homem que nem se importava em ser morto!

MILES: Não, ele se importava.

BEN: Como é?

MILES: Logo antes do segundo em que a faca atravessou seu coração, ele esperava que estivesse errado a seu respeito. Acho que ele não estava.

[Miles se retira. Ilana dispara contra o chão perto do pé de Ben.]

ILANA: Cave!

--

[Richard guia Hurley e Jack pela selva.]

HURLEY: Então, você não está viajando pelo tempo?

RICHARD: Não.

HURLEY: Mas... você parece igual ao que parecia 30 anos atrás. Como isso é possível?

RICHARD: Não é fácil de explicar.

HURLEY: Isso é como uma coisa do Exterminador do Futuro? Você é um ciborgue?

RICHARD: Não, eu não sou um ciborgue.

HURLEY: Vampiro?

RICHARD: Jacob me deu um dom.

JACK: Jacob? O que você sabe sobre ele?

RICHARD: Sei que ele está morto.

[Ele chegam no Black Rock.]

HURLEY: Eu pensei que você havia dito que estávamos indo ao templo, cara.

RICHARD: Eu menti.

JACK: Por quê?

RICHARD: Porque todos no templo estão mortos.

JACK: O que você quer dizer com estão todos mortos? O que aconteceu?

RICAHRD: Não tenho certeza do que aconteceu. Mas, eu acabo de vir de lá, e... não há sobreviventes.

JACK: E os nossos amigos? Sayid? Kate?

RICHARD: Espero que eles não estivessem lá. Talvez, tenham saído com vida. Tudo que sei é que, seja lá o que esteja procurando no templo, não está lá.

JACK: [para Hurley] Você não queria ir para lá. Você sabia disso?

HURLEY: Jacon meio que avisou...

RICHARD: Você falou com Jacob?

HURLEY: Sim.

RICHARD: Bem, seja lá o que ele disse... não acredite nele.

[Richard caminha em direção ao navio.]

JACK: Onde você está indo?

RICHARD: Tem algo que eu preciso fazer.

JACK: Fazer o quê?

RICHARD: Morrer.


Quarto Ato

[Ben entra em uma sala de aula vazia, onde Artz corrige alguns testes.]

BEN: Você tem um minuto?

ARTZ: Sim, eu acho. Eu posso dar F para todos eles. Me diga, o quão difícil é aprender a diferença entre gênero e espécie? O que você quer?

BEN: Você é muito bom com computadores, não é?

ARTZ: Algo me diz que você não estaria aqui, se você já não soubesse que sou.

BEN: Você poderia... hipotéticamente... acessar o email de alguém, sem que este saiba?

ARTZ: Eu... sim, depende da conta.

BEN: Digamos uma conta de um funcionário. Hipotéticamente.

ARTZ: Quem?

BEN: Da enfermeira Kondraki.

ARTZ: Kim? Por quê? Você está interessado nela?

BEN: Não, eu apenas... estou curioso sobre algumas de suas correspondências.

ARTZ: Com quem?

[Ben não responde]

ARTZ: Ok, tudo bem. Eu não vim ver você, você veio me ver. Eu não tenho tempo para brincadeiras. Agora, ou você me conta o que está fazendo, ou você pode me deixar terminar de corrigir minhas provas em paz.

BEN: Tudo bem. Eu tenho razões para acreditar que ela possa estar envolvida em um relacionamento inapropriado com o diretor Reynolds.

ARTZ: Você está armando uma! Você está atrás do grande cargo, não é?

BEN: Você vai me ajudar ou não, Leslie?

ARTZ: Eu quero uma boa vaga.Eu quero a vaga do Lamour no estacionamento. Aquela próxima da árvore - não embaixo da árvore, mas do próxima a ela - desse jeito eu pego a sombra da árvore, sem todos aqueles troços de árvore no capô do meu carro. Eu quero aventais. Eu quero muitos aventais, e eu quero equipamento que foi fabricado nessa década. Temos um trato?

BEN: De acordo.

ARTZ: Sabe, você realmente me enganou com esse suéter. Linus, você é um matador de verdade!

---

[Ben continua cavando o buraco na praia.]

--

[No Black Rock, Jack encontra Richard examinando uma corrente.]

JACK: Esteve aqui antes?

RICHARD: Sim. E em todo esse tempo que passei na ilha, hoje é a primeira vez que volto aqui.

HURLEY: [chamando do lado de fora] Jack? Cara, onde você está?

JACK: Estou aqui.

[Hurley entra. Richard abre a caixa de dinamite.]

HURLEY: Não abra isso, tem dinamite aí. É mega instável.

RICHARD: Eu sei.

HURLEY: Dr Artz também. E eu estava limpando ele da minha camisa dois dias depois. [para Jack] Cara, é hora de irmos.

JACK: Não, ainda não.

HURLEY: Ele está abrindo uma caixa de dinamite, e ele disse que queria se matar.

RICHARD: Eu não posso me matar.

HURLEY: O quê?

RICHARD: Mesmo se eu quisesse, acredite, eu quero. Eu não posso me matar. Por isso, quero que você o faça por mim.

JACK: Do que está falando?

RICHARD: O que estou falando, Jack, é que... Jacob me tocou, e quando Jacob te toca... bem, é considerado um dom... exceto que não é nenhum dom. É uma maldição.

[Richard pega uma dinamite sem nenhum cuidado.]

HURLEY: Cara, é sério! Vamos, agora!

JACK: Por que você quer morrer?

RICHARD: Eu devotei minha vida , mais do que você possa imaginar, em serviço de um homem que me disse que tudo acontecia por uma razão. Que ele tinha um plano, plano do qual eu era parte, e quando fosse a hora, ele o compartilharia comigo. Agora, esse homem se foi, então... Por que eu quero morrer? Porque eu acabo de descobrir que toda minha vida não teve propósito. Se eu acender o pavio não vai funcionar, mas você pode acendê-lo para mim, Jack. Eu deixei o fio longo o suficiente para você ter tempo de sair.

HURLEY: Jack! Por favor me diga que você não está realmente considerando isto?

JACK: Se ele quer morrer, não há nada que possamos fazer para impedi-lo.

RICHARD: Obrigado.

[Jack acende o pavio e se senta junto a Richard.]

JACK: Agora, vamos conversar.


Quinto Ato

HURLEY: Jack! Cara, temos que ir, o sujeito é maluco, e eu conheço de maluquice!

JACK: Hurley vá na frente, ficaremos bem.

HURLEY: Cara, nós vamos explodir.

JACK: Eu tenho que conversar com ele, Hurley, apenas vá.

HURLEY: Não, eu não vou sem você.

JACK: Hurley, eu vou ficar bem.

HURLEY: Se você mudar de ideia, eu estarei a uma milha de distância

[Hurley se retira]

RICHARD: Você devia ir com ele, Jack.

JACK: Não, Richard. Não, eu não devia.

RICHARD: Você vai morrer.

JACK: Na verdade, eu não acho que nenhum de nós vai morrer.

RICHARD: O que te faz pensar isso?

JACK: Eu acabo de vir de um farol... onde o meu nome estava cravado na madeira, em um dispositivo... Eu virei um espelho que, de alguma forma, refletiu a imagem da casa onde eu cresci. O farol do Jacob. Ele fez com que o Hurley me levasse até lá, porque ele queria que eu visse o que estava refletido naquele espelho. Por alguma razão, ele queria que eu soubesse que ele vem me observando desde que eu era criança.

RICHARD: Por quê?

JACK: Eu não faço ideia do porquê. Mas, estou disposto a apostar que se Jacob teve o trabalho, ele me trouxe para a ilha por alguma razão, e não foi explodir sentado aqui com você.

RICHARD: Esse é um grande risco que está tomando, Jack.

JACK: Sim.

RICHARD: E se estiver errado.

JACK: Não estou.

[O pavio se consome até quase o fim, e então se apaga.]

JACK: Quer tentar outra dinamite?

RICHARD: Tudo bem, Jack. Você parece ter todas as respostas. Agora o quê?

JACK: Vamos voltar para onde começamos.

--

[Na praia, Ben continua cavando quando é interrompido pelo barulho do monstro... "Locke" de repente aparece.]

"LOCKE": Olá, Ben.

BEN: O que está fazendo aqui?

"LOCKE": Uma visita. O que você está fazendo?

BEN: Estou cavando minha própria sepultura.

LOCKE: Por quê?

BEN: Porque você convenceu a matar o Jacob. Está vendo aquela mulher lá, comendo manga? Ela é o segurança dele, e ela sabe o que eu fiz. Então, você vai ter o que queria, porque ela vai me matar.

"LOCKE": Eu não quero que você morra, Ben. De fato, eu voltei até a estátua para buscá-lo, mas você havia partido.

BEN: Me buscar? Para o quê?

"LOCKE": Estou reunindo um grupo para deixar esse lugar de uma vez por todas. Mas, uma vez que partimos, alguém vai ter que ficar a cargo da ilha.

BEN: Eu?

"LOCKE": Não consigo pensar em uma pessoa melhor para o trabalho.

BEN: Bem, isso não parece provável, parece? Sob as circunstâncias. Como eu vou sair da...

[Ben é interrompido ao perceber que sua perna não está mais presa.]

"LOCKE": Venha até o outro lado da ilha, até a estação Hidra. É onde estaremos.

BEN: Ela vai vir atrás de mim.

"LOCKE": A uns 200 metros, na mata, tem uma árvore em uma clareira, com um rifle encostado nela. Se você for agora, chegará lá primeiro, e terá a vantagem sobre ela. Mas, não hesite - ela não hesitará. Até breve, Ben.

["Locke" desaparece. Ben corre para a selva. Ilana percebe e corre atrás dele.]

ILAHA: Ei!

---

[Flash-Sideways]

[Ben bate na porta da sala do diretor Reynolds.]

REYNOLDS: Entre. [Ben entra na sala] Linus, eu não tenho tempo para ouvir suas reclamações sobre a detenção.

BEN: Não é por isso que estou aqui, eu quero que você leia algo. [entregando folhas impressas para o diretor]

REYNOLDS: Bem, se isso é algum tipo de tentativa de reviver o seu clube...

BEN: Esse são 30 e-mails que cobrem um período de 3 meses. São coisas bem picantes, que estariam bem se fossem privadas, mas parecem descrever atos que aconteceram na propriedade da escola. Atos que, moralidade de lado, eu acho que o conselho escolar desaprovaria, sem mencionar a sua esposa.

REYNOLDS: O que você quer?

BEN: O seu cargo. Você vai renunciar. O porquê, eu não sei - razões pessoais, saúde - você decide. Mas, com sua renuncia, você irá recomendar ao conselho a minha contratação como seu substituto. E, a ironia de tudo isso, é que eles possuem tanta estima por você, que eu ganharei o emprego. Então, temos um acordo?

REYNOLDS: Linus, posso ler um e-mail para você? "Caro diretor Reynolds, eu apreciaria se você escrevesse uma carta de recomendação para Yale em meu benefício. Significaria o mundo para mim. Sinceramente, Alexandra Rousseau." É engraçado essa coisa de recomendação, Linus, ela funciona para ambos os lados. então, coloco a bola no seu campo. Você pode executar suas manobras maquiavélicas, pegar o meu emprego, sentar em minha cadeira, mas isso terá um efeito colateral. Eu queimarei a senhorita Rousseau, e sue futuro. Seria o meu cargo, meu poder, tão importante para você? Então, como vai ser, Dr. Linus?

--

[Ben corre pela selva com Ilana o perseguindo. Ele finalmente encontra o rifle encostado na árvore.]

BEN: [apontando o rifle para Ilana] Largue-a! Solte a arma! [Ilana obedece]

ILANA: O que você está esperando?

BEN: Eu quero explicar.

ILANA: Explicar o quê?

BEN: Eu quero explicar que sei o que você está sentindo.

ILANA: Você não faz ideia do que estou sentindo.

BEN: Eu assisti minha filha, Alex, morrer na minha frente. E foi minha culpa. Eu tive a chance de salvá-la, mas escolhi a ilha ao invés dela. Tudo pelo Jacob. Eu sacrifiquei tudo por ele, e ele nem se importou. Sim, eu o esfaqueei, eu estava... com tanta raiva... confuso... eu estava aterrorizado por estar prestes a perder a única coisa que importava para mim - O meu poder. Mas, a coisa que realmente importava já havia sido perdida. Eu lamento ter matado o Jacob. Eu lamento, e eu não espero que você me perdoe, porque eu nunca vou perdoar a mim mesmo.

ILANA: Então, o que você quer?

BEN: Apenas me deixe ir.

ILANA: Para onde você iria?

BEN: Até o "Locke".

ILANA: Por quê?

BEN: Porque ele é o único que me aceitaria.

ILANA: Eu te aceito.

[Ilana caminha de volta em direção a praia. Ben a segue.]

Sexto Ato

[Ben entra no escritório do diretor Reynolds, que não se encontra. Alex entra logo em seguida.]

ALEX: Dr. Linus?

BEN: Olá, Alex.

ALEX: Eu apenas vim agradecer ao diretor Reynolds. Ele me escreveu a mais incrível carta de recomendação.

BEN: Uau, que ótimo.

ALEX: Você tem algo haver com isso? Quero dizer, eu achei que ele diria algumas coisas legais, mas ele realmente extravasou.

BEN: Não, não fui eu, Alex. Mas, eu sempre digo que você é uma grande aluna, obviamente, eu não fui o único a perceber.

ALEX: Obrigado D... [Reynolds entra, interrompendo Alex]

REYNOLDS: Linus, que diabos está fazendo em meu escritório?

BEN: Apenas trazendo a chamada da detenção dessa semana, como pedido.

REYNOLDS: Pode deixá-la na mesa.

BEN: [para Alex] Então, te vejo no clube de história?

ALEX: Quer dizer, quando for reativado?

BEN: Oh não. Nós temos o nosso antigo horário de volta. O diretor Reynolds encontrou alguém para o meu lugar na detenção. Não é mesmo?

REYNOLDS: [se dando por vencido] Sim, isso mesmo.

BEN: Certo então. Te vejo as quatro.

ALEX: Tchau.

[Ben deixa a sala. Artz vem ao seu encontro no lado de fora.]

ARTZ: Hei, você conseguiu?

BEN: Não.

ARTZ: Não? Não! Espere... e quanto a minha vaga no estacionamento.

BEN: Pode ficar com a minha.

[Ben assiste satisfeito, enquanto Alex anda felizmente pelo pátio da escola.]

---

[Na ilha, Ben e Ilana retornam ao acampamento da praia. Ben se aproxima de Sun, que está fazendo reparos em uma das barracas.]

BEN: Você precisa de uma mão?

SUN: [...] Por favor, me ajude com a lona.

[Ben a ajuda com os reparos.]

[Hurley, Jack e Richard chegam no acampamento. Sun, Lapidus, Ilana e Miles vão ao encontro dos recém chegados. Vemos o pessoal na praia através de um periscópio. No mar, um submarino atravessa o horizonte.]

HOMEM NO PERISCÓPIO: Senhor, há pessoas na praia. Devemos parar?

WIDMORE: Não, prossiga como planejado.

HOMEM NO PERISCÓPIO: Sim, senhor Widmore.


LOST

Interferência de bloqueador de anúncios detectada!


A Wikia é um site grátis que ganha dinheiro com publicidade. Nós temos uma experiência modificada para leitores usando bloqueadores de anúncios

A Wikia não é acessível se você fez outras modificações. Remova o bloqueador de anúncios personalizado para que a página carregue como esperado.

Também no FANDOM

Wiki aleatória