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LOSTpédia

C6x04 - A Outra Vida

Escrito por: Ivan Gadia & Liana Granado
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Introdução

[Dentro da sala branca do templo, Ben está sentado com as pernas cruzadas, observando Jack que caminha nervosamente de um lado para outro]

[Richard está perto de uma abertura negra na parede de onde ele retira um conjunto de roupas. Ele se vira e a abertura se fecha automaticamente atrás dele]

JACK: Isso não faz sentido. Por que eu?

RICHARD: Você é o candidato perfeito.

JACK: Candidato... (balançando a cabeça negativamente) Isso é loucura.

BEN: (falando pelo canto da boca) Tanto quanto você ter ido parar no passado?

RICHARD: Por que você acreditou na Eloise, Jack? Por que você voltou?

JACK: Eu só queria... Eu só queria ajudar as pessoas com quem eu me importo...

RICHARD: (sorrindo) Então, você e Jacob não são tão diferentes assim. (dando a roupa para Jack) Agora, vista isso.


[Um homem anda por um corredor estreito, paredes de madeira. Podemos escutar um rangido constante]

[O homem é Richard]

[Ele para em frente a uma porta e dá três batidas rápidas]

[Surge o capitão Magnus Hanso, abrindo a porta apenas o suficiente para falar com Richard que está parado no corredor]

RICHARD: Capitão, os suprimentos estão quase acabando... Eu gostaria de...

MAGNUS: Em latim, Richard... em latim. (tossindo)

[Richard não entende o motivo, mas obedece ao capitão]

[Os dois conversam em latim, mas agora vemos a cena de dentro da cabine do capitão]

[Eles terminam a conversa. Magnus fecha a porta e caminha em direção a mesa. Ele puxa uma cadeira e se senta]

MAGNUS: Eu não sei até quando eu vou poder esconder você da tripulação. (tossindo)

DESMOND [sentado em outra cadeira]: Posso perguntar por quê vocês estavam conversando em latim?

MAGNUS: Porque essa é a língua da iluminação... (ele ri) É apenas uma exigência para se trabalhar comigo. Algo para esconder informações de pessoas não confiáveis. (tossindo)

DESMOND: Eu seria essa pessoa não confiável?

MAGNUS: Desculpa, não estou acostumado com viajantes do tempo.

DESMOND: Então, eu lamento, capitão. Porque eu entendo um pouco de latim, sabe...

MAGNUS: E eu que achava que em 30 anos ninguém mais se importaria em aprender latim.

DESMOND: É que eu estudei em um monastério... por um tempo.

MAGNUS: Um monge do futuro, então.

DESMOND: Aye... mas eu fui expulso por beber mais do que a Bíblia permite.

MAGNUS: Bem... se você tem que ser expulso de um monastério... Não conheço jeito melhor. (sorrindo e tossindo mais forte)

DESMOND: Você não parece estar bem, amigo.

MAGNUS: Não, Sr. Hume. Não me resta muito tempo. A sua aparição é o que tem me divertido nesse momento. Nunca achei que a morte teria tal forma.

DESMOND: Eu não sou a morte, “brother”. (sorrindo)

MAGNUS: Minha imaginação talvez... mas me conte mais sobre o futuro... a ilha... essa bomba de que falaste... Me conte sobre o dia em que você reencontrou a sua amada, Penelope.

DESMOND: Aye... Penny... (pensativo) “Com muito dinheiro e determinação, você pode achar qualquer pessoa”, ela dizia...

[Magnus tosse longamente e interrompe Desmond]

MAGNUS: Perdão, meu amigo. Por favor... continue....

[Um silêncio toma conta da cena]

MAGNUS: Sr. Hume? Desmond?

[A imagem mostra a outra cadeira vazia. Desmond desapareceu]

[Magnus olha assustado. Ele abre o diário, molha a caneta no tinteiro e começa a escrever]


LOST

Tempo Real

[Jack aparece vestindo roupas brancas como as do Jacob adormecido. Ele está com o uniforme de zelador da DHARMA em mãos]

RICHARD: (tirando o uniforme da mão de Jack) Você não vai precisar mais disso.

[Richard joga o uniforme para Ben que continua sentado no chão da sala]

BEN: Como exatamente isso funciona?

RICHARD: Eu vou conectar Jack a sala e consequentemente a Jacob... Levante daí.

[Ben se levanta]

[Richard pressiona outro ponto octagonal no chão, abrindo um novo espaço negro, exatamente onde Ben estava sentado. Ao contrário da outra, essa abertura está vazia]

RICHARD: Está pronto, Jack?

JACK: Como poderia estar pronto para algo assim.

RICHARD: É uma boa resposta... venha... deite aqui.

[Jack entra na abertura e deita lentamente]

JACK: ...e agora o que acontece?

RICHARD: Tente relaxar. Vai começar logo.

[Jack observa inquieto enquanto a abertura começa a encher de água]

RICHARD: Fique calmo, Jack.

JACK: É fria.

RICHARD: Eu sei.

JACK: Você já fez isso antes?

RICHARD: Sim, Jack. Posso dizer que foi o passeio da minha vida.

[A água cobre Jack quase que por completo, deixando apenas o seu rosto acima da superfície]

[Ben olha com atenção]

RICHARD: Feche os olhos e respire normalmente. Você vai ver luzes como...

JACK: ...pequenos flashes... sim... eu estou vendo.

RICHARD: Não vai demorar. Apenas se concentre no avião... no que você estava fazendo antes do avião cair. Não pense em nada que aconteceu quando você chegou na ilha. Apenas pense no voo... é importante que você lembre o que estava sentindo naquele momento. JACK: Eu estava...

RICHARD: Não precisa dizer... apenas sinta.

[Jack fica em silêncio por alguns segundos]

JACK: Estou escutando algo...

[Podemos ouvir um barulho similar ao que acontece quando há um flash. Começa suave e vai aumentando aos poucos]

JACK: O que...

[Jack abre os olhos repentinamente e vemos a cena pelo seu ponto de vista]

[Podemos ver Richard e Ben observando Jack do lado de fora da abertura. A imagem se torna turva e pequenos flashes tomam conta da visão. Logo os pequenos flashes se tornam em um grande clarão. O som é muito alto, mas alto e intenso do que o som de flash habitual]

[De repente, tudo fica em silêncio e escuro]

[Jack abre os olhos. Sua visão ainda está turva, mas aos poucos vai ficando melhor. Ele está assustado e ofegante]

[As costas de uma poltrona se tornam nítidas]

MULHER: Tudo Bem? Você está bem?

[Jack olha para o lado e vê Cindy de pé com um olhar preocupado]

JACK: Eu... eu...

MULHER 2: Déjà vu.

JACK: O quê? (percebendo Rose sentada perto dele)

ROSE: Quando você tem a impressão de que viu alguma coisa que já aconteceu antes. Você acabou de fazer a cara de alguém que teve um Déjà vu.

JACK: É... (sorri estranhamente e então olha em todas as direções)

[Jack percebe que está em um avião. De volta ao vôo 815]

JACK: ...Deve ser... Déjà vu.

[Atrás de Cindy, Charlie passa voltando sendo escoltado por JD]

CINDY [para Charlie]: Hei... senhor, nada de correr pelo avião. Nós acabamos de passar por uma turbulência você podia ter se machucado.

CHARLIE [um pouco chapado] Me desculpe, querida. Não vai acontecer de novo. Eu estou voltando para o meu assento, agora. Você poderia fazer a gentileza de me trazer um amendoim.

[Charlie continua a andar em direção ao seu assento. Jack olha completamente atônito]

JD [para Cindy]: Acho que ele só estava um pouco nervoso. (JD volta para a primeira classe)

ROSE: Ele parecia um pouco estranho?

CINDY [para Rose]: Não deve ser nada, vou levar o amendoim dele. [para Jack]: Tem certeza que você está bem?

JACK: (esfregando os olhos) Es... estou. Obrigado.

CINDY: Tudo bem, então. Com licença.

[Cindy se retira, passando por Bernard que educadamente abre caminho para a atendente]

ROSE: Jack, esse é Bernard, meu marido.

[Jack se levanta e cumprimenta Bernard, ainda olhando tudo com estranheza]

BERNARD: Olá

JACK: Oi... é... é um prazer.

ROSE: Jack estava me fazendo companhia até a turbulência passar.

BERNARD: Muito gentil de sua parte, Jack. Eu sempre tento dizer para Rose, que os aviões querem ficar no ar, mas ela...

ROSE: Eu disse a ele, Bernard... Espero que você tenha acertado o alvo com o avião balançando daquele jeito.

BERNARD [sorrindo]: A minha mira é perfeita.

[Jack sorri em resposta, completamente espantado pelo que está acontecendo]

[Jack reconhece Hurley do outro lado do corredor. Atrás dele, Locke e algumas fileiras depois, Claire. Quer olhar melhor, mas entende que são todos apenas estranhos em um avião. Eles nunca se conheceram. Ele senta em sua poltrona ainda se recuperando do que aconteceu]


Visões de Jack

[Jack está no aeroporto de Los Angeles. Ele conversa com um funcionário da Oceanic, em um dos balcões]

FUNCIONÁRIO: Você pode deixar o caixão conosco até que o carro da funerária chegue. Na verdade foi sorte, você ter conseguido que eles liberassem o transporte. A empresa costuma ser um tanto burocrática quanto a isso... Aqui (o funcionário entrega um protocolo) a liberação será feita no setor de cargas. Ok?

JACK: Ok... Obrigado.

[Jack caminha pelo aeroporto. Um policial passa correndo por ele e uma mulher pode ser ouvida gritando ao fundo: “Eu não fiz nada... Me solta... Isso é um engano.”]

[Um policial segura Nikki pelo braço, enquanto outro algema Paulo]

NIKKI: Eu não... me solta...

PAULO: Hei... solta ela, cara...nós não fizemos nada.

POLICIAL: A polícia da Austrália acha que sim... vamos.

PAULO: Espera...

[Na mesma cena podemos ver, Jin e Sun observando o acontecimento. Jin parece achar a cena engraçada e fala algo para Sun]

MULHER: Essa não é a melhor maneira de desembarcar em um aeroporto. (se referindo a Nikki e Paulo sendo presos)

[Jack se vira para ver quem está falando com ele]

[É Ana Lucia]

JACK: Ei... Você...

ANA LUCIA: O que foi... já esqueceu de mim?

JACK: Não... Ana Lucia... eu não me esqueci de você.

ANA LUCIA: Que bom. Porque eu fiquei esperando por você no 42F.

JACK: Me desculpa... eu... é...

ANA LUCIA: Não precisa se desculpar, Jack. (sorrindo)

[Jack coloca a mão no bolso procurando por algo. Ele tira a garrafinha extra que a Cindy havia lhe dado no avião]

JACK: Toma... é pra você.

ANA LUCIA: Ah... (pegando a garrafinha) quando você promete um drink, você cumpre. Gosto disso.

[Ana Lucia tira uma caneta e um bloco de papel da sua mala e escreve algo. Arranca a página e entrega para Jack]

ANA LUCIA: Toma... esse é o meu telefone. Talvez, quando você tiver resolvido aquela situação do seu pai. Nós possamos tomar um drink em uma garrafa de verdade.

JACK: É. Seria bom.

[Ana Lucia sorri e se vira, indo embora]

[Jack permanece parado no mesmo local. Então, algo chama sua atenção]

[Edward Mars e um segurança do aeroporto passam por ele, escoltando Kate]

[Eles param enquanto o segurança abre a porta de uma sala onde podemos ler: “security – restricted access”]

[Kate se vira e percebe Jack a olhando. Ela dá um leve sorriso. Nada de significativo, apenas um sorriso para um estranho com olhar preocupado]


Tempo Real

[Kate, Sawyer, Claire, Miles e Vincent estão andando por uma trilha na floresta. Kate e Sawyer caminham alguns passos mais a frente]

[Kate olha para Sawyer a todo o tempo]

SAWYER: Você quer me dizer alguma coisa, Kate?

KATE: Eu... (ela hesita) eu lamento muito pela Juliet. Ela...

SAWYER: Não.

KATE: Sawyer...

SAWYER: Não, Kate. Eu não quero ouvir.

[Kate abaixa a cabeça]

KATE: Desculpa. Eu não quis...

[Sawyer fica em silêncio por alguns segundos e então...]

SAWYER: Droga, Kate... Vocês estragaram tudo... Porque você e o doutor simplesmente não viveram felizes para sempre no mundo real. Porque estava tudo bem aqui no país das maravilhas sem vocês. (lágrimas nos olhos) Juliet... ela... ela achou que você e eu... que nós...

[Sawyer começa a andar mais rápido, abrindo uma diferença para os seus companheiros]

[Kate caminha junto com Vincent, enquanto logo atrás estão Claire e Miles]

CLAIRE: Então, você vai me dizer onde estiveram?

MILES: Olha quem pergunta? Você sumiu já faz 3 anos. Me diz você, onde esteve.

CLAIRE: Eu perguntei primeiro.

MILES: Tá bom. Alguma coisa aconteceu e nós começamos a viajar pelo tempo... primeiro fomos parar nos anos 50 e depois... eu sei lá quando estivemos exatamente, mas no final fomos parar em 1974... James... Sawyer... inventou uma história e nós nos juntamos a iniciativa DHARMA... Ele virou chefe da segurança... Eu e o Kwon fomos trabalhar com ele... Juliet... bem ela e o James começaram a fazer piqueniques secretos. Enfim... 3 anos mais tarde, seus amigos... que haviam ido embora... chegam do nada e resolvem explodir a ilha com uma bomba nuclear. Fim da história... basicamente.

CLAIRE: Ok.

MILES: O quê? Só isso? Tudo que você tem a dizer é “Ok”?

CLAIRE: Tá me desculpe... (ficando quieta por um tempo e...) Uau! Vocês viajaram no tempo... Isso é doidera. (Claire sorri)

MILES: Você é maluca... sua vez agora... onde você esteve?

CLAIRE: Eu não me lembro ao certo. Eu não consigo colocar as coisas numa ordem em que eu... eu lembro de ver o meu pai (Miles sorri como se lembrando da noite em que ela desapareceu) e lembro de procurar pelo Aaron. Lembro de um homem me segurando... eu estava assustada.... Então, eu lembro de tudo ter ficado escuro e eu gritava por ajuda, mas aí tudo começou a ficar claro de repente. (Claire leva a mão a cabeça) Eu estava nesse lugar todo branco... eu queria muito ver o Aaron e então...

[Kate para de andar e se vira na direção de Miles e Claire]

CLAIRE: Eu o vi... em uma cama. Kate... você estava lá.

[Kate olha assustada como se lembrando de algo]

KATE: Eu...

SAWYER: (gritando mais a frente) Kate, corre!!!

KATE: Sawyer!?

MILES: O que houve?

[Vincent começa a latir]

[Kate pega Claire pelos braços e corre para o meio das árvores]

KATE: Rápido, se esconda.

[Vincent corre pela mata e desaparece de vista]

[Kate, Claire e Miles tentam se esconder, mas são cercados por pessoas armadas. Podemos ouvir o barulho de armas sendo engatilhadas]

HOMEM: Olá novamente, Miles.

[Miles olha assustado e reconhece o homem]

BRAM: Nos encontramos de novo.


Visões de Jack

[Jack está no cemitério, discursando no funeral de seu pai. Ele tem o guardanapo onde escreveu o discurso em mãos]

JACK: ...seus amigos e familiares. Ele sempre... ele sempre (desistindo de ler o guardanapo e sorrindo) Acho que ele odiaria esse discurso... Sabe, ele não gostava de receber elogios e... “A única coisa boa de um funeral é a bebida grátis”, ele dizia.

[As pessoas no enterro riem do comentário]

[Jack coloca o guardanapo sobre o caixão]

JACK: Sinto sua falta, pai. Eu te amo. É tudo que eu quero dizer.

[Jack e sua mãe, Margo, estão se despedindo das pessoas que compareceram ao funeral]

[Margo dá um beijo no rosto de Jack]

MARGO: Te vejo em casa?

JACK: Sim... eu só vou terminar as coisas por aqui e te vejo em casa.

MARGO: Te amo, querido.

JACK: Te amo, mãe.

[Margo sai e deixa Jack no cemitério]

[Jack vê um homem sentado sozinho em um banco perto do local onde seu pai foi enterrado e decide se aproximar dele]

JACK [ainda de pé]: Você era amigo do meu pai?

JACOB [sentado]: Nunca o conheci de verdade... mas... foi um funeral muito bonito, Jack.

JACK [sentando ao seu lado]: Eu conheço você de algum lugar, não conheço?

JACOB: É provável que sim. Na verdade, eu estava esperando por outra pessoa, não achei que encontraria você por aqui.

JACK: (sorrindo) Do que você está falando?

JACOB: Existem regras as quais seu corpo e mente estão presas. No momento, suas memórias estão se misturando, tentando se tornar uma só.

JACK: O quê?

JACOB: Quem te enviou para esse lugar? Tente lembrar.

[Jack coloca a mão na cabeça como se estivesse lembrando de algo. Ele começa a ficar ofegante]

JACK: Ri... Richard. Richard me...

JACOB: Ele disse por que fez isso? (Jack está tendo problemas para respirar) Calma... apenas relaxe...

JACK: Ele disse... ele disse que era a minha chance de consertar as coisas. De ajudar os meus amigos. Que eu entenderia o porquê de ter ido para a...

JACOB: Não será uma experiência fácil, Jack. Eu não posso obrigá-lo a fazer isso, a escolha deve ser sua.

[Jack está confuso, mas de repente se concentra melhor no que está acontecendo. Jacob o observa com atenção]

JACK: Acho que eu já fiz essa escolha... Eu estou aqui... Eu escolhi estar aqui.

JACOB: Ótimo...(sorrindo) Não se preocupe... eu te guiarei.

[Jacob coloca a mão no ombro de Jack]

JACK: Jacob... você é Jacob. Não é?

JACOB: Não importa o que aconteça... eu te encontrarei.

JACK: O que...

[Um barulho de flash mais intenso pode ser ouvido e então...]

[destaque no olho de Jack]

HOMEM: Você está bem, Dr. Shephard?

[Jack olha assustado ao seu redor. Ele usa uma máscara para cirurgia]

HOMEM: Dr. Shephard?

[Ele está em uma sala de cirurgia com outros médicos. Todos o olham com preocupação, esperando uma resposta. Jack olha para baixo e vê um homem entubado. Há sangue para todo o lado. Ele está em meio a uma operação, segurando um bisturi]

CIRURGIÃO 1: O que houve?

JACK: Eu...

CIRURGIÃO 1: [para os outros cirurgiões]: Tudo bem pessoal, continuem a sucção... Jack, se você quiser, eu posso continuar...

[Jack olha para o paciente e se assusta. Ele reconhece aquela pessoa]

JACK: Sawyer? Sawyer?! O que aconteceu com ele?

CIRURGIÃO 1: Como assim, o que aconteceu com ele? Quem é Sawyer?

CIRURGIÃO 2: Dr. Shephard, o senhor está bem?

[Um sinal agudo pode ser ouvido]

CIRURGIÃO 3: Droga, temos um pico. Ele está tendo um ataque.

CIRURGIÃO 2: Nós vamos perder ele.

[O barulho no monitor cardíaco começa a aumentar. Os cirurgiões discutem entre si. A cena é caótica]

CIRURGIÃO 1: Jack?

[Jack fecha os olhos e começa a contar até 5. Ele termina a contagem e começa a contar de novo... e de novo. Ele não consegue se acalmar]

CIRURGIÃO 1: Jack?

JACK: Prepare o desfibrilador.

[Uma das médicas traz o desfibrilador apertando alguns botões no aparelho]

[O sinal no monitor cardíaco se torna linear e o barulho intermitente]

CIRURGIÃO 3: Parada cardíaca.

[Jack usa o desfibrilador para ressuscitar Sawyer, mas não parece haver efeito algum]

[Sawyer já está morto]

CIRURGIÃO 1: Jack, acabou... Jack...

JACK: Vamos! Vamos! (ainda tentando ressuscitar Sawyer) Droga...

[Os outros cirurgiões apenas assistem as tentativas de Jack]

CIRURGIÃO 1: Diga, Jack... Apenas, diga...

JACK: Ainda não.

CIRUGIÃO 1: Acabou. Não há mais nada que você possa fazer.

JACK: (irritado) Não me diga o que eu não posso fazer!

[Um silêncio toma conta da cena]

[Jack olha para os rostos assustados de seus colegas e então se acalma]

[Ele larga o desfibrilador e olha para o relógio]

JACK: Hora da morte: 16 e 42.


Tempo Real

[Sawyer está sentado em frente ao muro que dá acesso ao templo. Vemos Ilana bebendo um pouco de água, enquanto outro homem mantém Sawyer sob a mira de uma arma]

[Bram e seus companheiros surgem trazendo Kate, Claire e Miles. Vincent não voltou]

SAWYER: Droga, Kate. Eu disse para correr.

BRAM: Não culpe a moça. Ela bem que tentou.

KATE: Quem são vocês? Nós viemos falar com o Richard, vocês estão com ele?

ILANA: Você conhece o Richard?

SAWYER: Não diga nada, Kate.

ILANA: Eu também vim falar com ele. Quem são vocês?

[Ninguém responde]

BRAM: Sobreviventes da Oceanic. Esse aqui (apontando para o Miles) veio no grupo do Widmore.

SAWYER: Está bem... “Ana Lucia”. Já sabe quem somos. Agora, quem são vocês?

ILANA: (ignorando o apelido) Somos sobreviventes de um acidente de avião, também.

SAWYER: Não brinca. Podemos abrir um clube, então. A comida no seu avião era uma porcaria, também?

BRAM [para Sawyer]: Cala essa boca.

KATE: Ajira... Ajira 316. Vocês estavam no mesmo avião que eu. Você era a mulher que estava com Sayid. Não é?

[Ilana olha para Kate e lembra de algo]

ILANA: Você é uma dos Seis da Oceanic... eu lembro de você. Você é a que teve o filho na ilha.

CLAIRE: Filho?

KATE: Na verdade... é o filho dela. Eu menti. (olhando para Claire como se estivesse pedindo desculpas)

[Claire apenas olha como se tentando somar os fatos]

[Bram se aproxima de Ilana]

BRAM: Ilana, essas distrações já nos fizeram perder tempo de mais. Primeiro o piloto, depois aquela mulher loira e agora isso.

[Sawyer muda do seu ar de deboche para um ar sério]

SAWYER: Que mulher loira?

ILANA: Encontramos uma mulher ferida há algumas horas.

SAWYER: Ela disse o nome dela?

[Ilana não responde]

[Sawyer se levanta ignorando a arma sendo apontada para ele]

SAWYER: Qual o nome dela?

ILANA: Ela vestia uma blusa vermelha. Acho que seu nome era Julia ou Juliet

[Os olhos de Sawyer se enchem de esperança]

SAWYER: (nervosamente) Onde vocês a encontraram? Onde ela está?

[Ilana não responde]

[Sawyer se acalma e fala mais tranquilo agora]

SAWYER: Por favor, onde ela está?

ILANA: Você é James, não é? Ela chamou por você. Ela estava muito mal, talvez você não a encontre do jeito que...

SAWYER: Por favor, apenas me diga...

[Ilana olha para seus companheiros e então de volta para Sawyer]

ILANA: Ela está no lado sul da ilha... Pegue o vale central e desça até encontrar um riacho. Existe uma trilha que começa a partir das cavernas do outro lado. Ela levará você direto para a praia. É onde nosso grupo está.

SAWYER: Eu conheço esse caminho muito bem. (pensativo e olhando para Kate)

BRAM: Ilana? (preocupado)

ILANA: Está tudo bem. Abaixem as armas.

[Todos abaixam as armas imediatamente. Bram demora um pouco, mas também obedece]

BRAM [para Ilana]: Espero que você saiba o que está fazendo.

ILANA [para Sawyer]: Vocês podem ir.

KATE [para Ilana]: Se vocês estão indo falar com o Richard, eu quero ir com vocês.

ILANA: Tudo bem... você pode vir conosco.

SAWYER: Tem certeza disso, “sardenta”?

KATE: Vai e encontra a Juliet. É tudo que importa agora.

MILES [para Sawyer]: Eu vou com você. Pode precisar de ajuda.

SAWYER: Claire?

CLAIRE: Eu vou ficar com a Kate.

[Sawyer olha para Claire com um ar preocupado]

CLAIRE: Eu vou ficar bem. Pode ir.

SAWYER: Eu encontro vocês de novo, eu prometo.

[Ele começa a andar em direção a trilha. Ao passar por Bram ele para e se vira]

SAWYER [para Bram]: Hei... “Batatinha”, se quando eu voltar, ela (apontando para Claire) estiver com um fio de cabelo faltando e ela (apontando para Kate) estiver com uma sarda a menos ... você vai ser o primeiro a precisar de um resgate.

[Sawyer se vira e vai embora]

[Miles olha para Ilana e Bram e depois para Claire e Kate, antes de seguir Sawyer]


Visões de Jack

[Jack está na área da maternidade, olhando os recém-nascidos pelo vidro. Um homem se aproxima para falar com ele. Podemos reconhecê-lo do flashfoward no final da 3ª temporada]

HAMILL: Hei, Jack? Como você está?

JACK: Eu acabei de contar a uma menina de 6 anos que o pai dela morreu. Como você acha que eu estou, Rob?... Eu nem sabia que ele tinha mulher e filha.

HAMILL: Andrea me disse que você fez o que pôde. O homem levou 4 tiros, Jack. Seria preciso um...

JACK: Milagre?

HAMILL: É.

JACK: Acho que um hospital não é o local mais indicado para isso.

HAMILL: Você e eu. Nós vamos sair hoje. Jogar uma sinuca... Tirar o estresse desses ombros (enquanto colocando o braço sobre os ombros de Jack) Chama aquela sua amiga... Qual o nome dela mesmo?

JACK: Eu vou pensar.

HAMILL: Você vai ficar legal, cara. Eu tenho que ir. Te vejo mais tarde.

[Hamill sai, enquanto Jack continua pensativo em frente ao vidro. Uma voz surge vinda do corredor]

JACOB: Não se culpe, Jack. Acredite, era inevitável. (Jacob fica do lado de Jack em frente ao vidro, olhando os bebês)

JACK: Eu pensei que todos ficariam bem... que todos...

JACOB: Era só uma questão de tempo... Tome (dando para Jack uma barra de chocolate Apollo) É a sua favorita, não é?

[Jack segura o chocolate, mas sem abrir a embalagem]

JACK: Isso é só o começo, não é?

JACOB: Coma o seu chocolate.... Nós precisamos partir.

[Jack acorda com o rosto afundado em um tecido branco. Ele tenta reconhecer onde está e percebe que está em um carro. O air-bag foi ativado]

[A imagem se afasta de Jack, passando pelo vidro quebrado, revelando que ele se envolveu em um acidente. Estamos em um cruzamento de Los Angeles. Podemos ver um outro carro destruído logo a frente]

[Jack se desfaz do air-bag. Ele então percebe que não está sozinho no carro]

[Ele olha para o banco do carona e vê uma mulher. Ela bateu a cabeça contra o painel do carro. Se havia um air-bag para ela, o dispositivo não funcionou]

[Jack a vira com cuidado e imediatamente a reconhece]

JACK: Ana... Ana...

[É Ana Lucia]

[Jack mede sua pulsação e não há sinal de vida. Ela não está respirando. Ana Lucia está morta]

[Jack olha assustado para a frente do carro e resolve sair do veículo]

[Assustado, Jack caminha pela cena em direção ao outro carro. Ele vê alguém jogado no chão. A pessoa parece ter conseguido abrir a porta, mas não foi muito longe, caindo no asfalto]

[Jack se aproxima e também reconhece aquela pessoa]

JACK: Não... não...

[Jack se apressa para socorrê-lo]

JACK: Boone... Boone...

[Alguém vem e ataca Jack por trás, o derrubando no chão]

SHANNON: (chorando e batendo em Jack) Seu desgraçado... Você matou ele... Você matou o meu irmão. (Ela tem sangue escorrendo pela face)

JACK: (tentando se desvencilhar dos tapas) Shannon?... por favor...

[Outras pessoas que passavam pelo local do acidente afastam Shannon de cima dele]

SHANNON: (sendo segurada por duas pessoas) Como você sabe o meu nome? Como...

[Jack olha assustado para ela e não sabe o que dizer. Ele olha para o lado e reconhece algo]

JACK: Droga.

[A imagem gira lentamente e então mostra a traseira de um Camaro vermelho que bateu em um poste]

[Jack caminha a passos curtos até a frente do carro, sabendo o que vai encontrar]

[A frente do carro foi completamente destruida na batida. Ele olha pela janela e vê alguém que reconhecemos imediatamente]

JACK: Ah não... Hurley... não... por favor... não.

[Hurley não se move e há sangue escorrendo de sua testa]

[Jack cai sobre as pernas e começa a chorar]

[Um barulho de ambulância pode ser ouvido ao fundo]

[Jacob aparece e se agacha perto de Jack]

JACK: Foi minha culpa...

JACOB: Não, Jack. Foi um acidente. Shannon e Boone estavam discutindo, eles atravessaram o sinal vermelho. Você não conseguiu parar a tempo. Hurley vinha logo atrás.

JACK: (chorando) Por que você me mostrou isso?

JACOB: Se eu contasse você não ia acreditar. Precisava ver com seus próprios olhos...

[Jack está chorando muito e com a mão no rosto]

JACOB: Isso acabou com você, Jack... Você vai passar os próximos anos se culpando pelo que aconteceu. Você vai se afastar de seus amigos e familiares. Tudo porque não conseguiu se perdoar...

JACK: Eu poderia ter evitado. Se eu soubesse... poderia ter evitado.

JACOB: Não... não é assim que funciona. Mesmo que você impedisse isso, todos eles ainda morreriam. Amanhã ou depois... o resultado seria o mesmo. Apenas uma mudança significativa no momento certo pode mudar as coisas...

[Jack olha para Jacob como se já tivesse ouvido aquilo antes]

JACOB: ...e mesmo assim... isso não é nada perto do que... (desistindo de completar a frase) Vamos, Jack, precisamos ir.

JACK: Não... eu não quero mais isso.

JACOB: Apenas, vamos sair daqui. Tudo bem?

[Jacob coloca a mão no ombro de Jack]


Tempo Real

[Vemos cordas de um violão sendo tocadas, apenas alguns acordes simples]

[A câmera sobe revelando o rosto da pessoa que está tocando o instrumento. É alguém que ainda não conhecemos]

HOMEM: (terminando a música) Viu? Não é tão difícil, assim.

[Ele passa o violão para alguém que está sentado próximo dele]

HURLEY: Fácil, porque você toca a muito tempo, “dude”. Os meu dedos doem só de fazer aquela nota. Qual o nome mesmo? A dos três dedos. (Hurley pega o violão e tenta fazer uma nota)

HOMEM: O Lá?

HURLEY: Essa.

[A imagem gira, revelando que estamos dentro de uma caverna. A mesma caverna da 1ª temporada]

[Uma mulher entra apressada]

HOMEM: O que foi, Liz?

LIZ: A Faye voltou... tem uma mulher ferida. Rápido, Jensen... ela precisa de ajuda.

JENSEN: Onde ela está? (Jensen se levanta para seguir Liz)

LIZ: Venha.

[Hurley se apressa para colocar o violão de volta na caixa. Liz e Jensen saem da caverna e podemos ver outras pessoas no lugar]

[Alan e Faye aparecem trazendo Juliet em uma maca improvisada. Frank aparece logo atrás]

[Jensen se aproxima deles. A maca é abaixada lentamente no chão]

JENSEN: O que houve?

FAYE: (cansada) Eles encontraram essa mulher.

[Jensen se abaixa para examinar Juliet]

FRANK: (sentindo dor) Você é o médico?

JENSEN: Sim. (levantando os olhos e vendo Frank com o uniforme) e você é o piloto...

[Frank responde com um movimento de cabeça]

JENSEN: (alarmado) Você levou um tiro!?

FRANK: Não é tão ruim quanto parece. Cuide primeiro dela, depois você me conserta, doutor.

[Hurley se aproxima e reconhece Frank]

HURLEY: Lapidus?

FRANK: Hugo? O que você está fazendo aqui? Onde você estava?

FAYE [para Jensen]: Quem é esse?

JENSEN: Nós o encontramos perto daqui.

FAYE: (irritada) Vocês o encontraram? E trouxeram ele para cá? Vocês ao menos perguntaram o que ele está fazendo nessa ilha?

HURLEY [para Faye]: Calma, moça... você fala como se eu fosse uma ameaça. Eu estava no mesmo avião que vocês.

FRANK: Tudo bem, eu conheço ele. Ele é gente boa.

FAYE [para Frank]: Desculpe... capitão, mas isso sou eu quem decide.

[Hurley se aproxima mais um pouco e agora consegue ver melhor a mulher na maca]

HURLEY: Ah não... é a Juliet. O que aconteceu com ela?


[Sawyer está correndo pela floresta. Podemos ver as montanhas do vale central aparecendo entre as árvores. Miles não consegue acompanhá-lo]

MILES: Jim... espera.

[Sawyer para até que Miles o alcance]

SAWYER: Droga... “Pizzicato Five”. Se você não consegue acompanhar o ritmo, por quê veio?

MILES: (recuperando o fôlego) Juliet é minha amiga, também. Esqueceu?

SAWYER: Vamos... tente não ficar para trás.

[Sawyer continua, mas Miles fica parado]

[A imagem começa a girar rapidamente em volta de Miles. Ele parece escutar algo]

SAWYER: O que foi?

[Miles entra na mata fechada. Sawyer o segue]

SAWYER: Onde você está indo?

[Miles para ao ver alguma coisa. Sawyer para ao seu lado]

SAWYER: Ah não... droga.

[Sawyer dá alguns passos a frente e se ajoelha. Ele está abalado]

[Não podemos ver o que eles estão vendo]

SAWYER (olhando para frente): O que aconteceu com você?

MILES: Ele disse que foi o Locke.

[Sawyer olha para Miles com estranheza]

[Som de flash / corte]


Visões de Jack

[Jack abre os olhos. Ele está de cabeça baixa sobre uma bancada]

HOMEM: Boa noite, meu amigo... achei que você não ia acordar.

[Jack levanta a cabeça. Ele está barbudo e com uma aparência horrível]

HOMEM: Você está bem?

[Jack vira para ver quem está falando com ele]

SAYID: Você está dormindo aí desde que eu cheguei. O barman queria te expulsar, mas eu disse que você não estava fazendo mal algum. Eu até te paguei uma cerveja para você ter o direito de ficar no seu lugar. (Jack vê uma garrafa de cerveja cheia na sua frente)

[Eles estão em um bar, sentados em bancos junto a bancada. O barman está arrumando os copos e rindo da situação]

JACK: Sayid?

SAYID: (surpreso) Nos conhecemos, meu amigo?

[Jack lembrando que eles nunca se conheceram naquela vida]

JACK: Acho que ouvi o seu nome enquanto estava...

SAYID: (rindo) Eu nunca vi ninguém encher a cara e virar adivinho... Beba a sua cerveja, antes que fique quente.

JACK: Você parece bem... parece feliz.

SAYID: Por que não estaria? O meu restaurante vai muito bem... encontrei a mulher da minha vida... ela é... simplesmente incrível. Passei anos procurando por ela e acho que não conseguiria mais viver se a perdesse de novo...

[Sayid coloca a mão no bolso tira uma caixinha, mostrando para Jack]

SAYID: ...e amanhã eu farei o grande pedido. Espero que ela diga “sim”.

JACK: Qual o nome dela?

SAYID: Nadia.

JACK: (sorrindo) Não se preocupe, ela vai dizer “sim”.

SAYID: Bem... (Sayid faz tim tim com sua garrafa de cerveja na garrafa de Jack) Espero que você tenha razão... (Sayid olha o relógio) Eu adoraria ficar, mas é melhor...

JACK: Claro... Boa sorte para vocês. (Jack estende a mão)

[Sayid o olha como se tivesse um Déjà Vu e então aperta a mão de Jack]

SAYID: Eu nem sei o seu nome.

JACK: Jack... Jack Shephard.

SAYID: Sayid Jarrah, mas acho que você já deve ter adivinhado. (Sayid ri) Aproveite a sua cerveja, Jack.

JACK: Obrigado.

[Sayid se despede do barman e se retira. Jack fica no bar olhando para a cerveja que o iraquiano lhe pagou]

[Televisão do bar / voz feminina: “Nessa manhã, amigos do músico Charlie Pace o encontraram morto, em seu apartamento, em Londres. Charlie Pace, ex-baixista da banda Drive Shaft, ficou notoriamente conhecido pela sua participação no reality show britânico, Rock Star House. O músico de 33 anos, era dependente de heroína, por isso, as primeiras informações são de que ele teria sofrido uma overdose...” (imagens de arquivo de TV com Charlie são exibidas)

[Um homem se senta no banco em que Sayid estava. É Jacob]

[Jack assiste a notícia sobre Charlie e fala com Jacob sem olhar para ele. Ele já se acostumou com a situação]

JACK: Charlie... Hurley... Boone... Sawyer... Ana Lucia... era tão inevitável assim? Quem mais...(agora olhando para Jacob) quem mais teve o mesmo fim?

JACOB: Quatro dias após o avião aterrissar... John se matou em uma banheira... No mesmo dia, Jin morreu protegendo Sun, em uma emboscada feita por desafetos do pai dela... Algum tempo depois, Rose morre por causa de um câncer... Sawyer morre na sua mesa de operação... Você se envolve naquele acidente de carro... Juliet tem uma overdose de medicamentos e é encontrada morta em casa.

JACK: Juliet... ela não estava no avião.

JACOB: Não, mas como o incidente não aconteceu, ela nunca foi trabalhar na ilha... Michael morreu em um incêndio no estúdio em que trabalhava... e depois de entregar o filho para a adoção, Claire levou uma vida triste e sozinha.

[Jack leva as mãos a cabeça, tentando assimilar tudo aquilo]

JACK: Sayid parecia bem.

JACOB: Sim, ele está muito feliz. Ele e Nadia vão visitar a família dela no Iraque após o casamento. Uma manhã, ela está esperando por ele em uma cafeteria quando uma bomba explode. Sayid nunca se recuperou da perda.

[Jack olha para a porta do bar, como se quisesse correr e avisar Sayid, mas ele desiste]

JACK: (lembrando de algo) Kate? O que aconteceu com Kate?

JACOB: (sorrindo) Ela está na prisão, mas está bem. Vamos, preciso te mostrar algo.

[Jack toma um gole da cerveja. Jacob coloca a mão no ombro dele]

[Som mais intenso de flash]

[destaque nos olhos de Jack]

[A imagem nos mostra que ele está naquela ponte do flashfoward no final da 3ª temporada]

[Sua aparência está um pouco melhor]

MULHER: Eu não sabia que era necessário marcar hora para isso.

[Jack se vira para ver quem está falando com ele]

KATE: Então, você vai pular logo ou eu devo procurar outra ponte? (de uma forma simpática)

JACK: Eu... eu não vou pular... e acho que você também não devia.

[Kate sobe na mureta para olhar a altura]

KATE: (depois de assobiar) É uma queda e tanto.

JACK: Você realmente ia pular?

KATE: Eu não sei... só queria ver se ainda teria coragem depois de olhar a altura... Eu conheço você de algum lugar?

JACK: (hesitando por um momento) Não... não conhece... Por que você ia fazer isso?

KATE: Por que?.. Bem... Eu passei os últimos 10 anos da minha vida na prisão e... eles me concederam duas semanas fora, enquanto revêem a minha pena. Na terça, eu volto para minha cela.

JACK: Você podia fugir, ao invés de...

KATE: Não é por causa da prisão... é por causa do que vai acontecer no dia em que eu sair... Essa semana só serviu para provar que não há mais nada no “mundo real” para mim. Eu estraguei tudo.

[Os dois ficam em silêncio por um tempo]

JACK: Não... Fui eu que estraguei tudo... e se eu dissesse que você... (esperando pelo nome mesmo já sabendo)

KATE: Kate.

JACK: ...e se eu dissesse que você, Kate, foi feliz em uma outra vida. Ao menos por um tempo até que...

KATE: (curiosa e sorrindo) Até o quê?

JACK: (sorrindo) Esqueça... apenas esqueça.

[Kate e Jack olham para o horizonte apoiados na mureta]

KATE: E você? Qual o motivo de todo o drama?

JACK: Bem... muitas pessoas sofreram por minha causa.

KATE: (pensativa) Eu sei como é isso...

[Eles ficam em silêncio por um tempo e dividem um sorriso]

[Jack coloca a mão no bolso e puxa duas notas]

JACK: Hei... Eu não costumo fazer isso, mas gostaria de dar o fora daqui?

KATE: O que você tem em mente?

JACK: O que você quiser. (examinando o dinheiro) Até 40 dólares, o céu é o limite.

KATE: (rindo) Desculpa, mas eu nem conheço você...

JACK: Você tem a noite toda para conhecer.

KATE: Essa é a sua melhor cantada?

JACK: Não... essa eu acabei de inventar.

[Kate olha para ele e sorri, depois olha para o horizonte]

[Jack parece ter percebido que a “cantada” não vai funcionar, então...]

KATE: (ainda olhando para o horizonte) Tem algum filme bom passando?

JACK: O quê?

KATE: Faz anos que eu não vou ao cinema.

[Nesse momento, podemos ouvir um piano tocando os primeiros acordes de “Life and death” bem baixinho, ao fundo]


[Jack está deitado em uma cama, olhando o teto. Kate dorme ao seu lado com o braço por cima dele]

[Ele não consegue dormir. Cuidadosamente afasta o braço de Kate e se levanta]

[Ele sai do quarto e anda pela casa. É um apartamento pequeno, mas dá a entender que é onde Jack mora. Ele acende a luz da cozinha...]

JACK: Nós temos que ir, não é?

JACOB: Sim, temos que ir.

[Jacob está sentado junto a uma pequena mesa na cozinha]

JACK: O que acontece agora?

JACOB [se levantando]: Kate vai voltar para a prisão. Ela vai ficar lá por mais algum tempo... mas vocês vão se encontrar de novo... vamos... vou te mostrar como termina.

[Jacob coloca a mão nos ombros de Jack]

[corte / A imagem fica toda branca]

[A imagem continua toda branca. A câmera se move lentamente até podermos perceber que estamos olhando para um chão coberto de neve]

[Jack e Jacob caminham sobre a neve. Dessa vez, eles estão com as roupas brancas]

JACK: Que lugar é esse?

JACOB: Você não reconhece?

[Jacob caminha até dois blocos de pedra, retas como tábuas sobre a neve. Jack o segue]

[Jack olha para as pedras. Ele parece hipnotizado pelo que vê]

[A imagem gira nos revelando que as duas pedras são epitáfios . Na primeira podemos ler brevemente palavras como: Jack Shephard; amigo, marido e pai. Na segunda: Kate Shephard, amiga, esposa e mãe]

[O ano 2057 chama a atenção em um dos epitáfios]

JACK: Eu fiz ela... ela foi feliz?

JACOB: Sim, Jack. Você foi a melhor coisa que aconteceu a ela. Você a fez muito feliz.

JACK: (com lágrimas nos olhos) Isso é bom.

JACOB: É sim... É muito bom, Jack.

JACK: Porque tudo isso? Porque...

JACOB: Tudo o que você viu, eu vi repetidamente várias e vária vezes. O que eu fiz foi porque... eu não tive outra opção.

[Jacob olha na direção do horizonte e Jack acompanha]

[A imagem sobe a partir dos túmulos, mostrando as ruínas de uma cidade ao fundo. Algumas estruturas de prédio fazem entender que estamos olhando para uma Los Angeles destruída sob o céu cinzento e nevoso]

[A música ganha um tom mais obscuro, nesse momento]

JACK: O que aconteceu?

JACOB: O mesmo que vai acontecer ao seu tempo, se eu falhar... Você vai me ajudar, Jack?

[Jack hesita por um momento]

JACK: Como eu posso ajudar?

JACOB: A minha... conexão... com o seu tempo foi cortada. Eu apenas posso me comunicar com você por causa do lugar onde estamos (se referindo a sala branca). Em outras palavras... é como se eu estivesse morto. No entanto, existe uma pessoa que você conhece que pode me trazer de volta. Alguém ao qual as regras não se aplicam...

[Jack olha como se não soubesse do que Jacob está falando]

JACOB: Desmond.


Tempo Real

[Vemos uma mulher loira de óculos escuro passando pela esteira de um aeroporto. Nós a conhecemos]

[É a Penny]

[Ela caminha pelo saguão, passando agora por uma loja de lembranças onde há uma caneca em que está escrito “I ♥ (love) NY” e algumas miniaturas da estátua da liberdade]

[Penny para em frente a uma pequena lanchonete, sentando junto a uma mesa. Uma funcionária do local se aproxima]

PENNY: Apenas um cappucino, por favor.

FUNCIONÀRIA: Sim, só um momento.

PENNY: Obrigada.

[Vemos a imagem de longe, como se do ponto de vista de outra pessoa. A funcionária está servindo o capuccino para Penny]

[Penny tira os óculos e olha em todas as direções. Ela, então, procura por algo em sua bolsa]

[Vemos Penny de perto, novamente. Ela tira um livro da bolsa e coloca sobre a mesa – Rapidamente podemos ver que é um exemplar de “The Time Traveler's Wife” - em seguida, ela coloca um lenço azul dobrado em cima do livro]

[Uma pessoa se aproxima. Penny que estava levantando a xícara de café, para ao perceber alguém de pé perto dela. Ela está surpresa]

WALT: Olá, Srta. Widmore. Espero que tenha feito uma boa viagem.

PENNY: Você... é... eu não...

WALT: Você não esperava alguém da minha idade.

PENNY: Não... não esperava.

WALT: Posso me sentar?

PENNY: Sim... claro.

[Walt puxa uma segunda cadeira e senta junto a mesa. Penny o olha confusa]

[Ela abre o livro e tira uma carta de dentro]

PENNY: Então, você me escreveu isso? (mostrando o conteúdo da carta)

WALT: Sim. Fui eu que escrevi essa carta.

PENNY: Walt?... é verdade o que você escreveu aqui? Você sabe onde ele está? Desmond está mesmo vivo?

[A imagem centraliza o rosto de Walt]

L O S T


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