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Concurso Episódios Quinta Temporada
Concurso 6ª Temporada


Concurso Episódios 5ª Temporada

LOSTpédia & Revista Season
C5x06 - Manipulados

Escrito por: Gabriel Murad
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Introdução

Tempo Real

CENA 1 (BARCO DE PENNY)

[A cena começa em um quarto com pouca luz, centrado em um olho fechado. O olho subitamente abre, e um homem levanta-se da cama onde estava deitado. Liga a luz. O homem é Desmond, e ele parece tenso. Está muito suado. Uma mulher, que estava deitada ao seu lado, levanta-se; é Penny.]

PENNY: Desmond? O que aconteceu?

DESMOND: Eu... Penny...

PENNY: Acalme-se, Des... o que foi?

DESMOND: É só que... eu... tive um sonho...

PENNY: Sonho?

DESMOND: É... um sonho com a ilha... a ilha, Penny. E com o homem... o homem que eu... matei...

PENNY: Você está falando da ilha que o avião de seus amigos caiu, e que você ficou preso por todo esse tempo? E você matou um homem, Desmond?

DESMOND: Foi um acidente, Penny! Kelvin Inman... eu me lembro de... ter batido ele em uma pedra e... eu, eu não sei... é como se eu estivesse sendo chamado Penny. Como se alguma coisa me mandasse voltar para lá. [ele olha para Penny, que está muito assustada com o que Desmond está dizendo.]

PENNY: Des, acalme-se. Nós já estamos chegando no Brasil, em uma cidade chamada Santos. Depois vamos até São Paulo, de onde Frank vai pegar seu avião aos Estados Unidos, e nós finalmente vamos ter nossa viagem de lua de mel, meu amor. E quanto a este Kelvin Inman... você deve estar muito perturbado com o que passou naquela ilha. Mas não se preocupe, Des nós nunca mais vamos voltar lá.

DESMOND: Penny... obrigado... [ele abraça Penny, e a cena foca-se em seu rosto. Está tenso. Aparentemente, o consolo de Penny não ajudou muito.]


CENA 2 (“O CAJADO”)

[Jin e Kelvin estão na entrada d’O Cajado. Kelvin parece apreensivo de entrar.]

KELVIN: Aprendi a ficar longe de escotilhas, meu amigo.

JIN: Então você espera aqui enquanto eu pego o que preciso. [Jin entra n’O Cajado, enquanto que Kelvin fica do lado de fora. Kelvin olha para os lados, como se admirasse a paisagem ali. Ficara muito tempo preso no Cisne. Ele fecha os olhos e respira fundo, com um sorriso no rosto. Quando abre os olhos, vê algo inesperado e arregala os olhos. Uma senhora, com cabelos brancos, pequena em estatura, mas com uma expressão feroz está encarando Kelvin. Essa mulher é a mesma que atendera Desmond na joalheria; a misteriosa Sra. Hawking.]

KELVIN: Q-quem é você? Como chegou aqui?

HAWKING: Acalme-se, rapaz. Você está grandinho demais para ter medo de uma idosa. E a pergunta certa é o que você está fazendo aqui, Kelvin Joe Inman.

KELVIN: Como você sabe... JIN! Venha aqui...

HAWKING: Seu amigo não vai te ouvir. Você irá conversar comigo agora, Kelvin. Somente comigo. [Ela mantém sua expressão severa enquanto fala olhando para Kelvin, que parece muito perturbado.]

KELVIN: O que... o que você quer de mim?

HAWKING: Eu estou aqui para concertar um erro na linha cronológica, Kelvin. Mas não serei eu quem vai consertar este erro. Você deve consertar o erro que envolve você.

KELVIN: Erro, do que... do que a senhora está falando? HAWKING: O interessante é que vocês sempre exigem explicações antes de fazer o que deve ser feito. Pois bem, Kelvin, vamos dar uma volta. Eu te explicarei o que você precisa saber.

[Ela vira-se e sai andando, mas Kelvin permanece na porta d’O Cajado. Ao perceber que ele não está acompanhando-a, ela vira-se novamente e fala mais severamente:] Vamos, Kelvin! Jin Kwon não vai ficar aí para sempre. [E sai andando novamente. Relutante, Kelvin a segue.]

LOST

Tempo Real

CENA 3 (ESTÁTUA DE QUATRO DEDOS)

[Jacob está postado diante do grande pé, olhando fixamente para alguém no grupo dos Outros. Logo vemos que é Charlotte. É possível ver ao seu lado Selma, do outro lado vemos Daniel, e Juliet um pouco atrás.]

JACOB: Então? Você fez o que deveria fazer? Matou Hanssem, Charlotte Doran? [Charlotte permanece em silêncio por um tempo. Adam adianta-se ao grupo, como se fosse falar com Jacob. Este, porém, interrompe Adam] Eu desejo ouvir a resposta da boca de Charlotte. [Há uma pausa.]

CHARLOTTE: Não. Eu não matei Hanseem. [Os Outros começam a sussurrar depois que Charlotte diz isso. Jacob inclina a cabeça para a direita, olhando ameaçadoramente para Charlotte.]

JACOB: Não matou...? Mas ele está morto [Jacob olha para o corpo de Hanseem.] E se você não o matou, alguém o fez. Quem for o assassino desde homem, proclame-se! Agora!

[Os Outros olham preocupados uns para os outros. Aparentemente, não estavam gostando da maneira como estavam sendo dirigidos. Daniel fica inquieto, e coça a cabeça. Adam, novamente, tenta falar, mas desta vez fala rápido, como se com medo de Jacob interromper antes dele terminar.]

ADAM: Você devia perguntar a ele! Nós o encontramos caído na floresta! Deve ter esbarrado com o assassino! [Adam aponta para Daniel, que empalidece. Jacob olha interessado para Daniel.]

JACOB: Você é...?

DANIEL: D-Daniel Faraday.

JACOB: Prazer, Daniel Faraday. Eu sou Jacob Vetra. [Ele se aproxima do grupo. Alguns Outros afastam-se, incomodados.] Você sabe quem matou este homem?

DANIEL: Eu n-não tenho ideia!

JACOB: Não precisa mentir, Daniel. Você não pode mentir. Não para mim. [A cena centra-se no rosto sério de Jacob, e no rosto tenso de Daniel, e depois nos Outros, todos incomodados e amedrontados com essa nova autoridade.]


CENA 4 (PRAIA DA ILHA)

[Rose e Bernard estão próximos ao corpo de Tracy, que está mais pálida do que antes. Aparentemente, ela piorou da doença. Um homem se aproxima dos três; é Steve.].

STEVE: Ela continua mal?

BERNARD: Vai de mal a pior. Mas Jin já deve estar voltando com os remédios que precisamos. Tenho certeza que ela ficará bem.

STEVE: Mas... e se ele não voltar tão cedo?

ROSE: Não se preocupe Steve, Jin é um bom rapaz, é responsável. Não deixaria ninguém na mão.

[Steve parece preocupado, mas contenta-se em pegar na mão da inconsciente Tracy e fazer carinho nos cabelos dela. Rose faz um sinal para Bernard, como se dissesse para que eles deixassem Steve a sós com a enferma, e os dois se afastam.]

ROSE: O que mais me incomoda nisso tudo, Bernard, é o fato de Tracy ter ficado doente.

BERNARD: Rose, nós já discutimos isso várias vezes antes. Como você pode ter tanta certeza que ninguém nessa ilha fica doente? Já tivemos dois exemplos no último mês! Primeiro a apendicite de Jack, e agora essa doença estranha de Tracy...

ROSE: Exato, Bernard. Muitas pessoas estão adoecendo. Isso não é normal.

BERNARD: Rose...

ROSE: Você sabe bem porque eu estou dizendo isso, Bernard. Eu sei mais do que ninguém nesse acampamento que essa ilha não adoece as pessoas, mas sim as cura.

[Bernard faz cara de “eu admito derrota”, e se dirige à sua barraca. Rose fica imóvel, convencida de suas teorias. A cena centra no rosto de Rose.]

Flashback

[Vemos uma mulher negra com cabelos relativamente longos entrando em uma clínica médica. Esta mulher é Rose, e ela parece preocupada. Em seguida, vemos ela dirigindo-se a uma cadeira na sala de espera e sentando-se. Pega uma revista para ler, mas, não conseguindo concentrar-se na leitura, deixa a revista de lado e olha para o relógio. São 4:23 P.M. A secretária aproxima-se de Rose. Em seu crachá está escrito “Mara Scavenz”]

MARA: Sra. Henderson? O Dr. Markinson a aguarda. Vamos entrar?

ROSE: Olá Mara. Sim, vamos... [Rose parece desorientada, como se estivesse preocupada, pensando em outra coisa]

[Mara leva Rose até uma sala, cuja porta está aberta. Ela entra na sala. Ali está um homem alto, negro e com cabelos ralos e brancos, com idade próxima à de Rose. Na mesa da sala havia uma plaquinha, onde lia-se “Dr. Dillon Markinson”]

DILLON: Rose.

ROSE: Olá, doutor… [eles se cumprimentam]

DILLON: Você trouxe os exames que te pedi?

ROSE: Sim... sim, eu trouxe... [Rose tira alguns envelopes de sua bolsa e os entrega ao Dr. Markinson]

DILLON: Certo, vejamos...

[Rose está olhando para os joelhos, enquanto que o médico examina os exames. Depois de um tempo, Dillon dá um suspiro.]

DILLON: Rose eu... eu sinto lhe dizer isso mas os... os exames deram positivo.

ROSE ergue a cabeça, espantada: P-positivo? Então...

DILLON: Sim, Rose. Você está com câncer.

[Há uma pausa, em que Rose olha para os olhos tristes de Dillon, como se tentasse enxergar alguma ironia, brincadeira nos olhos do médico. Quando percebe que o homem está falando a verdade, Rose cai no choro.]

DILLON: Rose, acalme-se...

ROSE: Eu... n-nunca t-t-eria imag-ginado... c-câncer... há... é irônico, n-não, Dillon? Que o m-meu dest-tino seja o mesmo que o de Stacy? E tendo alguém próximo que lida c-com isso?

DILLON: Rose, não é bem assim. Ningém falou que você vai morrer. Existem diversos tratamentos e...

ROSE: Você quer dizer então que tem cura?

DILLON: Eu não diria cura... Rose, a doença já está muito avançada. As chances de cura são muito poucas, por isso talvez não compense fazer uma cirurgia. Mas se tratarmos de você, poderemos diminuir o efeito da doença, e assim prolongar seu tempo de vida.

ROSE: P-prolongar? Em quanto?

DILLON: Eu diria que... digamos, uns dois anos de vida, se você fizer todo o procedimento e...

ROSE: Dois anos? [Rose dá uma grande fungada e desaba no choro novamente]

DILLON: Rose...

ROSE: Está tudo bem Dillon, tudo bem... eu... eu vou... fazer o que for necessário...

DILLON: Com um pouco de sorte nós poderemos aumentar ainda mais seu temp...

ROSE: Está tudo bem, Dillon! [Rose fala essa frase de forma meio severa, como se não quisesse depender de sorte e tratamentos para sobreviver.]

DILLON: Não fique pensando em nossa filha Rose... ela está nos olhando de algum lugar agora, e está torcendo por você. Estou certo disso.

ROSE: Não pensar em Stacy? Saiba que todos os dias da minha vida eu penso em Stacy, Dillon. Talvez você não, já que, pelo visto você tem mais no que pensar.

[Rose lança um olhar a um porta-retrato na mesa, onde vemos Dillon com uma mulher jovem e bonita. Os braços da moça estão em volta do pescoço de Dillon, e ele com as mãos na cintura dela. Ambos estão sorrindo.]

DILLON: Rose, eu... ROSE: Não vim aqui para discutir isso. Estou aqui como sua paciente, Dillon. Me diga o que fazer.

DILLON suspira: Está bem. Eu vou recomendar para você...

Tempo Real

CENA 5 (PRÓXIMO AO CAJADO)

[Hawking está de frente para Kelvin. Continua com sua expressão severa.]

KELVIN: Como é? Você está me dizendo que eu só estou aqui por causa de um erro que aconteceu na linha do tempo, e que por isso eu devo... devo me matar?

HAWKING: Sim, Kelvin. Você foi morto por Desmond Hume, por acidente, quando ia fugir no barco Elizabeth, no dia 22 de setembro. Ele descobriu você e bateu suas costas e cabeça em uma pedra, causando sua morte. Porém, com os recentes acontecimentos, esses fatos da linha do tempo foram... “cortados”, fazendo com que o momento em que Desmond faz isso com você seja apagado. Agora, cabe a você consertar isso.

KELVIN: Você não espera realmente que eu acredite nisso, sra...?

HAWKING: Não preciso me apresentar, Kelvin. Basta que você me ouça. Faça da maneira que eu estou lhe dizendo para fazer, ou o Destino irá usar seus meios para corrigir esta falha, e acredite em mim [pausa]... isso pode ser doloroso.

[Hawking chega próxima a Kelvin e coloca algo em sua mão. Kelvin olha para ver o que é, e vê que é uma arma. Ele olha estupefato para ela.]

KELVIN: Você não espera realmente que...

HAWKING: Apenas faça. [Kelvin mantém seus olhos na arma.]

KELVIN: Olhe, eu... [ele olha para onde Hawking estava, mas ela desaparecera. Ele fica assustado e segue seu caminho de volta ao Cajado.]


CENA 6 (PRAIA DA ILHA) [Rose está sentada na frente de sua barraca dobrando algumas roupas, mas é possível perceber que ela está distante dali. Está colocando algumas roupas fora do cesto, e por vezes dá uma pausa para olhar para frente. Bernard se aproxima. Está anoitecendo.]

BERNARD: Rose, você ainda está pensando naquela história da Tracy?

ROSE: Eu estou dobrando roupas, Bernard.

BERNARD: Não precisa mentir, Rose. Não é porque eu discordo de você que eu estou contra você, afinal sou seu marido...

ROSE: Meu marido que me conhece a menos de um ano.

[Rose percebe que pegou pesado, e Bernard se irrita.]

BERNARD: Eu só estava tentando te ajudar Rose. Só te ajudar.

[Ele vira-se e sai de perto de Rose.]

ROSE: Bernard! Espere... [Ela abaixa a cabeça enquanto Bernard se afasta, e a cena foca-se em seu rosto, agora triste pela pequena discussão com seu marido.]

Flashback

[Rose, já sem cabelos, está saindo de um hospital. Aparentemente estava fazendo um dos tratamentos que Dillon Markinson recomendara. Sua expressão é extremamente depressiva; aparentemente isso não acontece muito depois de a mulher descobrir que está doente, pois ela ainda não se conformou. Ela senta-se em um banco na frente do hospital, abre sua bolsa e começa a procurar por alguma coisa. Antes que termine sua busca, porém, um homem senta-se ao seu lado. Não é possível ver seu rosto, pois ele está lendo um jornal. Rose por fim encontra o que estava procurando; um livrinho de anotações, uma espécie de diário. O homem discretamente gira a cabeça na direção de Rose, observando-a escrevendo no diário. Ele então fala:]

HOMEM: Há quanto tempo você descobriu que tem a doença?

[Rose paralisa por um tempo. Então vira-se e olha para o homem. Seu rosto ainda não é visível para nós.]

ROSE: Você... o senhor leu o que eu estava escrevendo?

HOMEM: Não, madame. Mas você está com uma expressão triste, saiu de um hospital agora e está sem cabelos na cabeça. Basta ser um pouco inteligente.

ROSE: Ãããã... então você é uma espécie de psicólogo é? Percebe os problemas das pessoas só de observá-las?

HOMEM: No momento, sou apenas um homem viúvo em seu dia de folga lendo seu jornal no banco da praça... [ele poe o jornal para baixo, e seu rosto é, enfim, revelado: é Matthew Abaddon.] Sra...?

ROSE: Henderson. Rose Henderson.

ABADDON: Prazer. Eu sou Matthew Abaddon. [ele estende a mão para Rose.]

ROSE: Prazer, Sr. Abaddon. [ela aperta sua mão.]

ABADDON: Será que eu posso te oferecer uma xícara de café? Creio que temos muito o que conversar.

ROSE: Muito o que conversar? Mas nem nos conhecemos, Sr. Abaddon.

ABADDON inclina a cabeça na direção de Rose: Exatamente. [sorri.]

[A próxima cena mostra Rose e Abaddon cada um com uma xícara de cappuccino em um café.]

ROSE: Então, Sr. Abaddon... você disse que tínhamos muito o que conversar... até agora não falamos nada demais.

ABADDON: De fato... é somente que... bom, eu posso imaginar o que uma mulher como você está sentindo. Descobrir que tem uma doença mortal deve ser muito difícil, Sra. Henderson.

ROSE: Você fala como um experiente nisso, Sr. Abaddon. E pode me chamar de Rose.

ABADDON: Sim... eu já fui casado, Rose. E minha mulher pegou câncer. Morreu alguns meses depois. E pode me chamar de Matthew.

ROSE: Sinto muito, Matthew , eu...

ABADDON: Não precisa sentir muito, Rose. Você está passando pelo mesmo que ela agora. E por isso quis falar com você.

ROSE: Sei... aparentemente você leu sim o que eu escrevi em meu diário, Matthew.

ABADDON: Admito que li... e não vi nada... extraordinário ali. Aparentemente você não anda fazendo nada de especial.

ROSE: E por que eu estaria?

ABADDON: É só que minha esposa costumava aproveitar ao máximo seu tempo depois que descobriu que portava a doença. Você devia fazer o mesmo.

ROSE: Matthew, por acaso você não está dando em cima de mim, está?

ABADDON, com uma risada: Não, Rose, não... acontece que depois do que aconteceu com minha esposa, decidi que deveria ajudar pessoas na mesma situação que ela estava... veja bem, ela morreu bastante satisfeita do que fazia. Por exemplo... [Abaddon tirou um ticket de seu bolso. Nele estava escrito “Opera”.]

ROSE: Opera?

ABADDON: Sim, opera. Minha esposa costumava gostar... e bem, esse ingresso está sobrando aqui, tenho somente um. Nunca gostei de operas, eu ia apenas para agradá-la. [ele ri. O clima da conversa é bem descontraído; é como se os dois fossem amigos de infância.] Por isso, acho que você pode achar mais utilidade nele do que eu.

ROSE: Hm... acho que seria uma grosseria eu não aceitar essa gentileza, Sr. Abaddon. Mas você tem mesmo certeza que vai me dar um ticket de opera? Você nem me conhece. E isso é caro.

ABADDON: Já disse, tento ajudar pessoas em condições semelhantes à de minha esposa. Aceite por favor, Sra. Henderson. [um celular toca.] Perdão. [Abaddon olha para seu celular.] Devo ir agora, Sra. Henderson. Por favor, vá à opera. Não vai se arrepender.

[Com isso, Abaddon sai do café. Rose, ao parar para pensar no acontecido, fica atônita; um estranho acabara de lhe aconselhar sobre sua doença e lhe dera um ticket para um caro show de opera, e subitamente saiu.]

[Em seguida, vemos Abaddon andando na rua falando no celular, mas não sabemos quem está do outro lado da linha; ou se há alguém do outro lado da linha.]

ABADDON: Henderson já tem o ingresso. Ela não desconfiou. [Em seguida, ele desliga o celular e sorri para si mesmo enquanto continua seu caminho pela rua.]

Tempo Real

CENA 7 (O CAJADO)

[Jin está procurando pelos remédios para Tracy. Ele observa com atenção um frasco que encontrara, tentando ler as palavras em inglês. Quando consegue ler, ele acena positivamente com a cabeça, e segue seu caminho de volta. É então que ele olha em direção à porta que Sun lhe mostrara quando ainda estava na ilha. Ele entra nessa porta e observa a máquina na qual Sun dissera ter visto Ji Yeon. Jin se emociona e abraça a máquina.

JIN, em coreano: Sun... minha Sun...

[Ele começa então a chorar.]

JIN: Sun... [ele olha para a tela onde Ji Yeon deve ter aparecido pelo ultrassom. Passa a mão pela tela, como se imaginasse sua filha (ele não sabe se é mesmo menina, mas tem esperanças disso) aparecendo na tela, e chora mais.]


CENA 8 (FORA DO CAJADO)

[Kelvin está de volta ao Cajado, e está segurando a arma que Hawking lhe dera. Ele sente um desejo de soltar a arma, mas não consegue fazê-lo. É como se algo lhe dissesse para manter a arma em mãos.]

KELVIN: Jin! Vamos, está escurecendo! Precisamos nos apressar se... [Ele ouve um barulho atrás dele e pára bruscamente. Vira-se. Hawking está novamente ali, olhando ainda mais severamente para ele.].

HAWKING: Você ainda não fez o que eu lhe pedi para fazer, Kelvin Inman. [Ela olha para a arma nas mãos de Kelvin.] Faça logo. Você já sabe porque está aqui e porque deve fazer isto. Quanto mais rápido você fizer, melhor será para você.

[Kelvin permanece em silêncio. Ele olha para a arma e lentamente a aponta para sua própria cabeça. Hawking começa a sorrir.].

HAWKING: É apenas um tiro... sem hesitação...

[Kelvin abre a boca e coloca a arma dentro dela.].

HAWKING: Muito bem...

[Com um movimento rápido, Kelvin tira a arma de sua boca e aponta para o coração de Hawking. Ouve-se um disparo. Hawking leva as mãos até o lugar onde o projétil atingiu seu corpo, de onde está saindo um pouco de sangue. Ela fica espantada a princípio, mas logo, olha para Kelvin e diz nervosa:].

HAWKING: Você teve a sua chance Kelvin Joe Inman! Agora o Destino irá tomar conta de você! Não há uma saída! O Destino pode consertar seus próprios erros... você quis dificultar, e conseguiu. Vai ser doloroso agora, Kelvin!

[Kelvin treme enquanto Hawking diz tudo isso. Ele olha do rosto da velha para o machucado em seu peito, confuso em como uma mulher daquela idade sobrevivera. Ele espanta-se e sai correndo. Vemos Jin saindo da escotilha.]

JIN: Ouvi um... disparo. [Jin vê Kelvin correndo, sem nem ao menos olhar para trás, e segue seu companheiro, que grita enquanto corre.].


CENA 9 (BARCO DE PENNY)

[Vemos Mathias falando com alguém em uma tela. Mathias comunica-se usando um microfone, que tem um fio que vai até a orelha do marujo, de onde o som da pessoa que está falando sai. Devido ao fuso horário, aqui já está na calada da noite; provavelmente de madrugada.].

MATHIAS: Eu tenho certeza, senhor. Hume estava falando sobre a ilha com sua filha esta noite. Se eles voltassem para lá, e eu fosse junto com eles, poderia passar as coordenadas exatas para o senhor...

[Mathias ouve as instruções de seu emissor, que é provavelmente Charles Widmore. Enquanto ouve, acena positivamente com a cabeça.].

MATHIAS: Está certo, senhor. Nós estamos próximos à costa brasileira agora. Eu permanecerei em silêncio, mandando relatórios ao senhor todas as noites. Mathias desligando.

[Ele desliga o monitor, aperta alguns botões e dirige-se para a proa do navio. Ao chegar ali, Frank Lapidus está admirando o oceano. Mathias desconfia e aproxima-se de Frank.].

MATHIAS: O que faz acordado há essa hora, Frank?

FRANK parece assustar-se: Mathias! Eu vim tomar um ar, meu quarto estava muito abafado. E você, o que faz?

MATHIAS: Insônia.

[Frank fica admirando o oceano, enquanto que Mathias simplesmente observa o companheiro, como se tentasse perceber uma mentira nos olhos de Frank. Pelo jeito não percebe, pois diz:].

MATHIAS: Vou me deitar, Frank. Os remédios que tomei fizeram efeito rápido.

FRANK: Boa noite, Mathias.

MATHIAS: Noite.

[Independente de Mathias ter percebido uma mentira em Frank ou não, o fato é que, assim que Mathias entra na cabine, Frank murmura:].

FRANK: Mandando relatórios...? Mas para quem?


CENA 10 (PRAIA DA ILHA)

[Já está de noite, e Steve está acariciando Tracy. Rose observa. Ela parece pensativa.].

ROSE, murmurando para si mesma: Isso não faz sentido... não faz nenhum sentido... eu tinha certeza, essa ilha tem poderes curativos... mas agora...

[É então que alguma coisa bate com força em seus joelhos, fazendo com que ela se assuste. Ela pensa que alguém jogou algo como uma pedra nela, mas então percebe que Vincent deu um encontrão com ela.].

ROSE: Oh, Vincent. [ela acaricia sua cabeça.] Seu cachorro desastrado.

[Ela volta a olhar para Steve e Tracy. Depois de algum tempo olhando, novamente algo bate em suas pernas, dessa vez, por trás. É Vincent novamente.].

ROSE: Vincent! O que você...

[Então ela para e passa a observar Vincent. Ele está sentado no exato lugar onde está a trilha que entra na floresta. Como Rose não se mexe, Vincent volta, dá mais um encontrão com as pernas da mulher, e volta correndo para o mesmo lugar onde estava, na frente da floresta. Rose então, lembra-se de uma conversa que teve a alguns dias com Charlotte e Miles...]

MILES: Você deve ir sozinha, Charlotte, um homem me falou. Ele disse que você deve seguir o cachorro.

[Ela encara Vincent, que repete o mesmo evento duas vezes. Então, olha para os lados, como se conferindo se Bernard está observando, e aproxima-se de Vincent, que corre desembestado para a floresta. Isso confirma a teoria de Rose, que passa a seguir o cachorro, empenhada. Vemos então que Miles está olhando para ela de sua barraca, e mesmo vendo a mulher entrar na floresta, não faz nada para impedi-la.].


CENA 11 (ESTÁTUA DE QUATRO DEDOS)

[Jacob está olhando fixamente para Daniel. Charlotte está ao seu lado. Os Outros parecem incomodados. Uma velha se adianta; é Amelia, e ela se refere a Jacob:]

AMELIA: Com licença, Mr. Jacob... mas está escurecendo. Eu e meu grupo de amigos gostaríamos de saber onde vamos acamp...

JACOB: E você é?

AMELIA: Sou Amelia Robbins, Mr. Jacob.

JACOB: Então, Amelia Robbins, aguarde pacientemente até que eu termine de resolver esse assunto. Você e seu grupo de amigos podem esperar até lá.

[Amelia se incomoda com a grosseria e volta para o meio do grupo]

JACOB: Então, Daniel Faraday, gostaria de saber de novo. Você sabe quem matou este homem? [aponta para o corpo de Hanseem]

DANIEL: Eu já disse, eu esbarrei com alguém na floresta, não deu para ver o rosto...

JACOB: Não deu para ver o rosto...

[Sawyer se adianta, e fala para Jacob:].

SAWYER: Ei, Sabe-Tudo, pega leve com o casal aí. Eles pelo jeito estão falando a verdade.

JACOB: Não se intrometa em assuntos que você não sabe, James. Aguarde enquanto resolvo este assunto, logo continuaremos com o que precisamos tratar. [ele volta a se dirigir a Daniel] Daniel Faraday! Você...

CHARLOTTE: Já chega! Você ainda não entendeu que Daniel não tem nada a ver com tudo isso? Antes que eu pudesse sequer apontar a arma para Hanseem, tiros vieram da floresta e mataram o cara, impedindo que eu o fizesse! Será que está tão difícil para você entender? E, além disso, que diferença faz quem matou este homem? Ele já está morto, você já conseguiu o que queria!

[Jacob fica meio atordoado depois que Charlotte diz tudo isso. Ele dá então um leve sorriso, e vemos o rosto de Selma, que está apavorada.]


CENA 12 (TEMPO REAL, PRAIA DA ILHA)

[Bernard está gritando na praia.].

BERNARD: Rose! Rose!

STEVE: O que foi, Bernard? Você pode acordar Tracy, pare de gritar!

BERNARD: Steve, você viu Rose? Ela não está em lugar algum!

MILES: Ela está na floresta, Bernard.

BERNARD: O quê? O que você quer dizer com isso, Miles?

MILES: Ela entrou faz pouco tempo. Foi seguindo Vincent.

BERNARD: Seguindo... mas o que... eu vou atrás dela.

STEVE: O quê? Você não pode entrar sozinho na floresta no meio da noite, Bernard!

BERNARD parece nervoso: E nem minha mulher pode, Steve! Por isso eu vou achá-la!

[Bernard está indo até sua cabana pegar o necessário para entrar na floresta, quando Miles se aproxima.].

MILES: Você não sabe seguir trilhas, Bernard.

[Bernard fica em silêncio.]

MILES: Talvez eu possa te ajudar. Eu sei seguir trilhas, sabe.

BERNARD: Eu não confio em você, Miles. Principalmente depois de você ver Rose entrar na floresta seguindo aquele cachorro, e não fazer nada para impedir!

MILES: De qualquer forma, você só vai aumentar o número de perdidos na floresta se for sozinho. Eu vou ajudá-lo. Pode confiar em mim.

BERNARD, depois de um tempo pensando: Está bem. Mas eu já estou indo.

MILES: Quando você quiser, Dentista.

[Bernard dá uma lanterna a Miles e eles entram na floresta.].

Flashback

[Bernard está em seu consultório arrumando umas fichas. Então, o vemos saindo. Está escuro. No prédio ao lado de seu escritório, é possível ver uma grande placa escrito “Opera” e um pequeno cartaz “Peça de hoje: L'Olimpiade”. Ele dirige-se a seu carro, e ouve um barulho de pneu em contato com o chão e olha para o lado. Rose está em seu carro mas não consegue faze-lo andar; a cena do episódio 19 da segunda temporada repete-se, porém mais centrada em Bernard.]

Tempo Real

CENA 13 (TEMPO REAL, FLORESTA)

[Kelvin Inman corre sem parar pela floresta. Jin segue-o, mas nem mesmo os gritos frequentes de seu companheiro param Kelvin, que parece muito amedrontado por causa de seu encontro com a Sra. Hawking. É então que Kelvin chega ao último lugar que gostaria de chegar naquele momento; um abismo. Sem saída.]

KELVIN: Droga... droga!

[Ele pega a arma que usara para atirar em Hawking e aponta para sua cabeça. Não tem mais dúvidas que alguma coisa sobrenatural está acontecendo ali, e resolve fazer aquilo do jeito mais fácil. Poe a arma em sua boca e dispara.]

[Tic.]

[Kelvin abre os olhos espantado. Dispara novamente. O tiro novamente não sai. Ele confere se tem balas na arma, e descobre que tem, e várias. Tenta disparar contra si mesmo várias vezes mas não consegue. Então olha para o grande abismo em sua frente. Vendo como sua melhor chance, atira-se contra ele. Antes que Kelvin caia, porém, Jin chega e segura-o pela barriga, e arremeça-o para trás. Kelvin cai de cara no chão. Ao erguer-se e abrir seus olhos, vê a Sra. Hawking. Desta vez, porém, a mulher está com sangue escorrendo de um machucado no peito; onde Kelvin atirara. Mesmo assim, não tem expressão de dor.

HAWKING: Você teve sua chance, e disperdiçou-a! Agora aguarde pacientemente pela saída que o Destino encontrar para você, Kelvin!

KELVIN: Não! Você não pode estar aqui, você... [Kelvin fecha os olhos e grita com força. Ao abrir os olhos, quem está na sua frente é Jin.]

JIN: Acalme-se... OK? Vamos voltar para a praia. Já está tarde, e eu achei o... remédio.

[Kelvin olha para os lados, assustado].

JIN: Vamos...? [Kelvin olha para Jin, e acena positivamente.].


CENA 14 (FLORESTA DA ILHA)

[Rose segue Vincent. Ela mal vê o cachorro no meio de tanta escuridão, mas segue o som do movimento dele, e aos poucos, a mulher arrepende-se de ter seguido Vincent a essa hora da noite. É então que eles chegam em uma clareira, e ela vê algo que lhe espanta. Vincent está parado na frente de uma cabana, uma cabana velha e suja; a Cabana de Jacob. Vincent corre até a porta, e percebendo o que deve fazer, Rose aproxima-se da cabana lentamente, e entra. A cabana está em aspecto deplorável; Suja, e muito escura; há regiões da cabana que Rose nem consegue ver. Uma voz vem da parte escura da cabana.]

VOZ: Você veio rápido, Rose Henderson Nadler.

[Rose olha para a origem da voz. Um homem sai das sombras. É Christian Shephard.]

ROSE: Quem é você?

CHRISTIAN: Eu sou Christian Shephard. Não precisa se apresentar. [ele ri] Eu sei quem você é.

ROSE, de repente com cara de desentendida: Por que você me chamou aqui?

CHRISTIAN: Eu te chamei aqui? Hahaha, não Rose. Você veio aqui por que queria vir aqui. Achou seu caminho até aqui porque queria vir aqui. Na verdade, já tem um tempo que você quer vir aqui, ou estou enganado?

ROSE: Eu nunca soube da existência dessa cabana, nem quis vir aqui desde que caí nessa ilha. E foi Vincent quem me trouxe até aqui.

CHRISTIAN: Ah não? Então me diga... você não está cheia de perguntas, louca por respostas? E fica enfurecida porque ninguém mais parece se importar com os detalhes que você há muito repara nessa ilha, mas não os mostra para ninguém? [Christian sorri, enquanto que Rose espanta-se.] Rose... seu grande desejo por respostas a trouxe aqui. Vincent foi apenas um meio que encontrei para trazê-la. Você está aqui somente porque quer estar e porque merece estar. Então vamos... [ele se senta em uma cadeira, e Vincent pula em seu colo.] pode começar.

ROSE: Começar?

CHRISTIAN: Sim. Você não quer respostas? Então... você vai tê-las.

ROSE: Então é isso? Você simplismente vai me responder o que eu quiser?

CHRISTIAN: Sim. Estou apenas esperando você começar.

ROSE: Meu marido com certeza está me seguindo, Sr. Shephard. Ele estará aqui logo.

CHRISTIAN: Não se preocupe com Bernard, ele vai demorar um pouco para chegar. Já cuidei disso.

ROSE: O que quer dizer?


[Vemos então Miles e Bernard na floresta, Miles na frente, seguindo a trilha de Rose. Miles para de repente.]

BERNARD: O que foi? A trilha acabou?

MILES: Não é isso... mas tem alguma coisa estranha... ela vai por ali, mas ela está difer- [Bernard segue para onde Miles apontou, determinado.]

MILES: Espere, Bernard! [Ele olha para a direção oposta à que Bernard foi, desconfiado, e em seguida, segue o dentista.]

[A cena então segue à frente de Bernard; muito à frente, mostrando o caminho que eles estão percorrendo, até que chega em alguém andando. Esse alguém é Claire Littleton; ela está com uma expressão fixa, e anda cuidadosamente deixando marcas descaradas, as quais Bernard e Miles estão seguindo. Então, voltamos à Cabana.]

ROSE: Claire está enganando Bernard? Mas por quê?

CHRISTIAN: Porque eu pedi, Rose. Ela sabe que eu há muito quero ter essa conversa com você, ou melhor, você há muito quer ter essa conversa comigo. Agora, Rose. Pergunte a si mesma por que você veio parar aqui.

ROSE, depois de um pequeno tempo pensando: Eu quero saber por que o câncer que eu havia contraído curou quando pisei nessa ilha.

CHRISTIAN: Já é um começo. Pois bem, Rose. Seu câncer foi curado pelo simples fato de que ele precisava ser curado. O fato de você ter sarado da doença deu-lhe esperanças e motivação para continuar nessa ilha. Estou certo? [Rose ficou em silêncio.] Rose, veja bem, se estivesse com aquele câncer ainda, não conseguiria desempenhar a sua função nesta ilha.

ROSE: Função?

CHRISTIAN: Sim, sua função. Todos vocês têm uma função. Ou missão, não importa o nome que você queira dar. O fato é que nenhum de vocês está aqui por acaso.

ROSE: E qual seria minha... função? E por que o câncer me impediria de realizá-la?

CHRISTIAN: Sua função nesta ilha, Rose, é ao mesmo tempo a mais simples e mais complexa. Você é a responsável pelo equilíbrio entre os sobreviventes. Mesmo que não tenha percebido, você tem impedido, desde que chegou aqui, que muitas coisas não muito bem-vindas acontecessem. Por exemplo, quando impediu Hugo Reyes de explodir todos os alimentos n’O Cisne.

ROSE: Como...

CHRISTIAN: Como eu sei desse acontecimento não importa. O fato é que, se Hugo tivesse feito aquilo, as esperanças dos outros que sabiam da existência daquela comida seriam drenadas, impedindo-os de prosseguir.

ROSE: Prosseguir...?

CHRISTIAN: Prosseguir com suas funções, Rose.

ROSE: Me desculpe, Sr. Shephard, mas essa conversa está muito estranha.

CHRISTIAN: Estranha?

ROSE: Sim. Então quer dizer que todos nós viemos para esta ilha para fazer alguma coisa, que nós não sabemos o que é, e a razão do meu câncer ter sido curado foi simplismente para que eu tivesse esperança e ânimo para impedir os outros de fazerem burradas?

CHRISTIAN: Do jeito que você fala, Rose, dá a impressão de ser algo tolo, mas sim, é isso que eu estou dizendo, e essa é a verdade que você tem buscado nos últimos cem dias de sua vida. [Ele sorri.]

ROSE: E então todos têm sua missão? Cada um a sua?

CHRISTIAN: Isso. [Parecia feliz em estar sendo interrogado, como se gostasse de ver as engrenagens no cérebro de Rose funcionando.]

ROSE: Então todos aqueles que... que se foram, deixaram de realizar suas missões?

CHRISTIAN: Os que morreram [Pausa] já terminaram suas funções.

ROSE: Você quer dizer que todos nós vamos morrer depois que terminarmos de fazer o que temos que fazer?

CHRISTIAN: [Ele ri] Ninguém falou em morrer, Rose. O que acontece é que, infelizmente, as pessoas que já completaram sua missão foram descuidados e acabaram... sucumbindo. Mas isso não quer dizer que você vá morrer quando a ilha não mais precisar do seu equilíbrio. Você simplesmente estará... livre. Livre para ir embora.

ROSE: Então quer dizer que enquanto não cumprirmos nossa missão, estamos presos à ilha?

CHRISTIAN: Você pode sair da ilha, Rose. Mas nada será normal. Isso porque enquanto vocês não cumprirem a missão, estarão presos a esta ilha, e mesmo que saiam dela, jamais encontrarão paz, até que realizem o que devem realizar aqui. É o caso de seus amigos Jack, Katherine, Hugo, Sun, e Sayid. [Rose olha desconfiada] Sim Rose. Eles voltaram para casa. Ou estão voltando, pelo menos, mas o que importa é que saíram da ilha. Mas não se preocupe. Eles vão voltar, e continuar o que começaram... ou começar o que devem fazer. Não há como fugir do destino.

ROSE, depois de uma pequena pausa: Você disse tudo que está me dizendo à Claire? Por isso ela nos deixou e veio morar aqui?

CHRISTIAN: Eu apenas fiz Claire ver qual era a missão do filho dela, Aaron. Quando percebeu qual era essa missão, imediatamente fez o que eu lhe pedi para fazer. Aaron está muito novo ainda para compreender sua importância nessa ilha. Por isso, eu orientei-a para que colocasse Aaron em um lugar onde ele poderia dar um tempo da ilha, para que ele pudesse amadurecer e, quando estivesse pronto, voltar para cá. É óbvio que você e todos os seus companheiros iriam achar estranho se Claire chegasse sem seu filho na praia. Por isso, ela tem morado comigo desde então. Bem, é claro que ela não acreditou tão facilmente quanto você, mas eu consegui convencê-la.

ROSE: Você disse que eu tenho impedido os outros de perderem a esperança desde que chegamos aqui. Mas eu só me lembro de ter ajudado Hurley.

CHRISTIAN: Não, Rose. Logo nos primeiros dias, quando afirmou a Jack que tinha certeza que seu marido havia sobrevivido, ele não acreditou, mas no fundo isto renovou seus ânimos. Afinal, alguém ali tinha fé! Você não entende? São nos seus pequenos atos que você realiza sua missão.

ROSE: Então eu só vou estar livre da ilha...

CHRISTIAN:... quando todos tiverem terminado suas missões, sim. [ele sorri]

[Há uma pequena pausa.]

ROSE: Eu... eu achava que Claire estivesse morta.

CHRISTIAN dá uma risada alta: Morta? Hahaha... ora Rose. Claire está tão viva quanto eu estou. [Ele sorri misticamente.] Pelo jeito você já perguntou tudo que queria saber, Rose Nadler. Saiba que seu marido e amigos estão chegando.

ROSE: Como você sabe disso?

CHRISTIAN: Sei porque nosso tempo está acabando [Olha para um relógio em seu pulso.] Na verdade, você devia sair agora.

ROSE fica parada: Você me é familiar... de algum jeito...

CHRISTIAN: Eu garanto a você que você não me conhece, Rose. Mas eu de fato sou familiar a você. Você vai acabar descobrindo, de qualquer forma. [Ele se levanta.] Agora você já sabe por que está aqui Rose. Não deixe de fazer o que deve fazer. [Sorri novamente.] Tempos difíceis estão chegando, tanto para mim quanto para você e todos seus amigos do avião. Quero que esteja preparada. Não importa as circunstâncias, você deve cumprir sua missão, Rose.

ROSE: Tempos difíceis?

CHRISTIAN: Sim... infelizmente, não há como adiar mais ou evitar. O mal se estabeleceu na ilha, e será seu dever manter a calma em seu acampamento.

ROSE: O mal? O que quer dizer com isso?

CHRISTIAN: Sem mais perguntas. Bernard está próximo. [Ele gesticula em direção da porta, e Rose lentamente sai, pensativa.]

CHRISTIAN: Será que ela esqueceu de perguntar sobre as doenças de Tracy e Jack ou... deduziu que essas doenças também tinham que acontecer?


CENA 15 (FLORESTA DA ILHA)

[Bernard e Miles estão seguindo a trilha falsa que Claire fez. Eles não sabem, mas ao começarem a seguir a trilha da moça, eles estavam relativamente próximos à Cabana de Jacob. Depois de darem uma grande volta seguindo a trilha falsa, eles parecem estar se aproximando novamente.]

BERNARD: Rooose!

MILES: Ela não vai te ouvir, Bernard.

BERNARD: ROOOSE!

OUVE-SE UMA VOZ BAIXA: Bernaaard!

BERNARD: Rose? ROOSE!

ROSE: Bernard!

[Bernard corre em direção à voz, e Miles segue. O casal se encontra.]

BERNARD: Rose! Enfim!

ROSE: Bernard!

[Eles se abraçam e se beijam.]

ROSE: Bernard acalme-se, eu estou bem!

BERNARD: Nunca mais me dê um susto desses, Rose. Eu fiquei preocupado! Fiquei com medo de...

ROSE: Esqueça. Eu estou bem. Vamos voltar.

[Miles está observando curiosamente a região de onde Rose veio, que é a Cabana de Jacob – apesar de não ser possível ver a cabana por causa das árvores e da escuridão, Miles aparenta perceber que há algo ali.]

ROSE: Miles?

BERNARD: Miles, você está bem?

MILES: Sim, vamos voltar.

[Ele tira os olhos da “cabana” e eles seguem o caminho de volta.]

Flashback

[Bernard está em um pub, mas não está exagerando na bebida. Parece estar apenas pensando em alguma coisa, quando um homem senta-se ao seu lado. Ele está de costas para nós, e está agasalhado, por isso não podemos vê-lo.]

HOMEM: Me dê um copo deste drink, senhor.

BARMAN: Aqui está.

HOMEM, sem nem ao menos relar no copo: Pensando bem, me dê mais alguns.

BERNARD não consegue evitar, mas olhar do rosto do homem para os vários copos acumulados em sua frente, e diz: Você não devia beber tudo isso, senhor. Esta bebida é forte.

HOMEM suspira: Você não sabe o que eu passei, senhor.

BERNARD: Eu só... está bem.

HOMEM, após tomar seu primeiro copo: Minha esposa estava doente. Muito doente. Não havia cura. E ela... ela morreu. E hoje eu descobri... descobri que havia uma cura. Havia uma cura para o câncer de minha esposa!

BERNARD olha sério: Isso é algum tipo de brincadeira?

HOMEM: Não senhor. Eu descobri... um homem... na Austrália... Isaac de Uluru... ele pode curar qualquer doença! [O homem tira um folder de seu bolso e o joga na frente de Bernard, que o lê, atônito com sua “sorte”]

BERNARD: Onde o senhor descobriu isso?

HOMEM: Um amigo me mostrou. Disse que não há doença que este homem não cure.

BERNARD fica paralizado: O senhor... será que eu posso... ficar com isso?

HOMEM: Pode.

BERNARD: Obrigado! [ele sai do bar.]

[A cena então gira e chega no rosto do homem, que é Abaddon novamente. Ele está sorrindo. Bebe mais um copo e deixa um dinheiro para o barman.]

ABADDON: Fique com o troco. [vira-se e sai, deixando o barman meio bobo ao perceber que Abaddon não bebeu quase nenhum dos vários copos e pagou-lhe absurdamente mais do que devia.]

Tempo Real

CENA 16 (ESTÁTUA DE QUATRO DEDOS)

[Jacob olha interessado para Charlotte]

JACOB: Então a pequena Doran resolveu por tudo para fora. Muito bem... acho que você está certa, Charlotte Doran. Não acho que seu amigo saiba quem matou Hanseem... isso apenas faz de vocês dois inúteis. Acho que só me resta por um fim nos dois.

SAWYER: O quê? O que você disse?

[Jacob ergue os braços, da mesma forma que erguera no episódio 2 “O Homem que Trapaceou o Trapaceiro” e olha para Charlotte]

JACOB: Você primeiro, por me desapontar, Charlotte. Prepare-se.

[A cena fixa-se em Selma, que olha assustada para Jacob.]


CENA 17 (FLORESTA DA ILHA)

[Kelvin e Jin estão andando. Kelvin olha para os lados frequentemente. Pelo jeito ainda está paranóico pela sua conversa com a Sra. Hawking. Ele ainda tem a arma em suas mãos. Começamos a ouvir sussurros vindos das árvores]

SUSSURROS: 4, 8, 15, 16, 23, 42, 4, 8, 15, 16, 23, 42, 4, 8, 15, 16, 23, 42...

KELVIN treme e olha para os lados: Não... não, o que... o que é...

[É então que ouve-se um barulho vindo na direção dos dois... o barulho do monstro de fumaça. Jin reconhece o barulho.]

JIN: Cuidado! Vamos... voltar! [Antes de Jin se virar porém, o Monstro aparece do meio das árvores. Um turbilhão de fumaça que eventualmente solta um “flash” passa como um trem por eles; mas sem incomodá-los. Parece que está indo para outro lugar. Kelvin, porém, amedrontado, grita alto.]

KELVIN: AHHHH! [Ele mira a arma que Hawking lhe dera no monstro e começa a atirar, ao mesmo tempo que anda para trás lentamente.]

JIN: PARE! Ele não está...

[Antes que Jin termine, porém, uma parcela do monstro separa-se do resto e investe contra Kelvin, arrancando a arma de suas mãos e envolvendo o homem em um monte de fumaça. Kelvin grita ainda com mais força, e o monstro ergue o homem no ar, e começa a batê-lo nas árvores próximas.]

JIN: Não!

[Ele avança contra o Monstro, que separa-se em dois novamente, e a outra parte avança em Jin, e começa a sufocar o coreano.]

[Então, a cena muda para Rose, Bernard e Miles, em seu caminho até a praia. Ouve-se um barulho de pancadas.]

BERNARD: O que é isso?

MILES: Vem de lá...

[Rose e Bernard vão até o barulho, e Miles, sem ver alternativa, segue o casal. Ao chegar, eles empalidecem com a violência da cena; Kelvin sendo jogado nas árvores e Jin sufocado.]

ROSE: Não... isso está errado... se... Jin não morreu na explosão, então...

BERNARD: Temos que fazer alguma coisa! [Rose avança em direção ao monstro] ROSE!

ROSE, gritando: Pare! Ele ainda não cumpriu sua missão! Largue-o!

[o monstro paraliza por uma fração de segundo, emitindo flashes, e larga Jin, que cai com força no chão. O monstro segue o caminho que estava seguindo, levando consigo o corpo de Kelvin, que já não grita mais.]

ROSE, chegando próxima do inconsciente Jin: Temos que ajudá-lo!

BERNARD: S-sim...

MILES: Estamos próximos à praia, vamos levá-lo até lá...


CENA 18 (ESTÁTUA DE QUATRO DEDOS)

[Sawyer está olhando para Jacob, assim como Charlotte, Daniel, Selma e todos os Outros. Selma abraça Charlotte. Sawyer então percebe o que está prestes a acontecer.]

SAWYER: SAIAM DAÍ! CORRAM!

[Os três parecem paralisados, e nada fazem. Eles ouvem um barulho vindo da mata.]

SAWYER: RÁPIDO!

[O Monstro vem da mata. Todos olham estupefatos. Alguma coisa cai do monstro, alguma coisa grande e pesada, mas não é possível ver o quê. Daniel olha do monstro para Charlotte e entende o que vai acontecer.]

DANIEL: Não!

[Daniel prepara-se para se jogar na frente de Charlotte, mas alguma coisa empurra-o para o lado. É Selma Doran.]

SELMA: NÃÃÃO! CHARLOTTE! [Ela entra na frente de sua filha, e o monstro envolve a mulher em fumaça. Seu corpo fica invisível no meio da fumaça]

CHARLOTTE: MÃE! PARE COM ISSO! [Ela grita para Jacob, que não faz nada para parar o monstro. Charlotte começa a chorar e gritar ao mesmo tempo.] Mãããe! Nããoo!

[Todos os Outros olham apavorados para a cena. Juliet se adianta e coloca-se ao lado de Charlotte, e Cindy abraça Zack e Emma. O Monstro então pára de envolver Selma e volta para a floresta, deixando apenas o corpo destruído da mãe de Charlotte, no mesmo estado que estava o corpo de Seth Norris em “Pilot 2”.]

CHARLOTTE: NÃO! MÃE! Você não... devia... mãe...

[Ela se ajoelha diante do corpo sem vida de sua mãe. Daniel vai consolá-la, mas antes que faça isso, algo segura em seu pé. Ele se vira para ver o que é e percebe o corpo de um homem muito machucado. Está respirando com dificuldade, e parece estar em seus últimos momentos de vida.]

KELVIN: Rapaz... me escute... você precisa... me escute... é... importante...

[Daniel abaixa-se para Kelvin e ouve o que o homem tem a dizer, apesar de que nós não ouvimos o que ele diz. Apenas vemos Daniel se levantando depois de um curto espaço de tempo e virando-se para Charlotte, que ainda está olhando para Selma, com os olhos cheios de lágrima. Pelo canto da tela, percebe-se que Kelvin está olhando para o céu, sem se mexer. Morto.]

[Charlotte então ergue sua cabeça para Jacob. O homem olha com indiferença para a cena, e Charlotte levanta-se. Está lívida de fúria e raiva.]


CENA 19 (PRAIA DA ILHA)

[Bernard dá o remédio a Tracy.]

STEVE: Ela ficará bem?

BERNARD: Sim. Não se preocupe.

[Rose está ao lado de Bernard, observando. Seu marido se levanta e chama Rose para ir até a barraca deles. Ela vai. Miles está ao lado de Tracy também, e observa atentamente o casal. É possível ver Jin deitado em uma cama pelo canto da dela, dentro de uma barraca.]

ROSE, ao chegarem na barraca deles: Bernard, está tarde... acho que devemos dormir. Boa noite, meu amor, obrigada por...

BERNARD: Espere, Rose. Antes você vai me explicar: que história é essa de missão?

ROSE: P-perdão?

BERNARD: Você me ouviu. Quando aquele... monstro, ou o que seja, estava atacando Jin, Você disse algo sobre uma missão, e o monstro na hora soltou Jin e foi embora. Você vai me explicar o que é isso, e agora.

L O S T


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