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LOSTpédia & Revista Season
C5x01 - Um Lugar Onde Milagres Acontecem

Escrito por: Bruno Catini
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Introdução

[Fim do “Anteriormente em Lost”.]

[Aparece o texto “1896” em branco com o fundo preto.]

[Em seguida, a cena muda. Vemos uma tomada da Ilha por cima. Ouve o som de pássaros. Então, é ouvido um choro de bebê! A cena muda para uma mulher loira correndo desesperada arrancando arbustos e galhos pela floresta carregando um bebê recém-nascido no colo. Estava sem sapato e vestia um vestido branco manchado de sangue na região da verilha. Ela se ajoelha e enrola o bebê no pano que carregava.]

MULHER – Fique aqui, okay? Não saia daqui, filho! Eu te amo! [beija a testa do bebê] Eu te amo!

[Ela esconde o bebê entre folhas e matos, logo começa a correr novamente. Passa por um riacho, e sobe um morro, saindo da floresta. Ao se deparar com um penhasco, fica parada tentando decidir o quê fazer. Ouve uma voz atrás dela.]

VOZ – Fique onde está, Beatriz!

[Beatriz se vira e se depara com oito homens armados em pé.]

BEATRIZ [chorando.] – Por favor... não faça nada...

HOMEM A [friamente] – Onde ele está?

BEATRIZ – Isso é um erro! Vocês não têm idéia...

HOMEM B – Você tem apenas quinze segundos para nos dizer, ou essa ilha sofrerá eternamente por essa sua decisão. Então, [ele mira a arma] onde você escondeu seu filho?

BEATRIZ [limpando as lágrimas] – Vocês não podem fazer isso! Hanseem nunca perdoaria...

HOMEM B – Treze segundos, Sra. Vetra! Defenda a Ilha ou morra! Faça sua escolha!

[A mulher olha para todas as direções. Ela incorpora uma expressão irônica no rosto.]

BEATRIZ [rindo e soluçando] – Tudo bem... tudo bem!

[A mulher abre os braços, murmura algo, e então, se joga precipício abaixo. Os oito homens correm para tentar fazer algo, porém só vêem o corpo dela no chão, perto de umas rochas de um riacho. Beatriz estava morta.]

HOMEM C – Droga... Droga! Não acredito! E agora, Teddy? [para o homem que fizera a contagem regressiva] Hanseem nos matará!

TEDDY – O quê? Vai me culpar agora?

HOMEM D [continuava com os olhos vidrados no corpo] – Gente... O quê ela disse antes de se jogar?

[Quatro homens desceram para pegar o corpo da mulher. Teddy e os outros três continuraram se entreolhando. Um quinto homem quebra o silêncio.]

HOMEM D – Ela disse... “Eu te amo, Jacob.”

[Eles se entreolham.]

TEDDY – Mas... quem diabos é Jacob?

[Um close no rosto de Teddy. Em seguida, no rosto de Beatriz, que morrera de olhos abertos. A cena volta para a floresta, onde um choro pode ser ouvido. A cena se aproxima e encontra o pano onde o filho de Beatriz, Jacob, chorava com a mão pra fora do manto.]

LOST

Flashback

[Um jovem Ben está sentado numa sala em silêncio observando os quadros nas paredes. Os quadros representavam imagens de ursos, chaves, cachoeiras, e vários outros detalhes. A porta se abre e um adulto entra. Porém não é revelado o rosto, somente o terno e a voz.]

HOMEM – Benjamin Caldwell Linus. [ele se senta na poltrona de frente à Ben] Antes de me contar a história, gostaria de saber a verdade. [ele se aproxima] Somente a verdade.

[Ben olhou em volta.]

BEN – Meu pai vai me matar.

HOMEM – Seu pai não saberá de nada. Não se preocupe, ficará só entre nós. Então, [ele baixou o tom de voz] qual era seu propósito ao invadir a Estação Orquídea?

[Ben ficou calado por um tempo.]

HOMEM – Benjamin, é muito importante que você me diga. Olívia me disse que você estava presente no momento da explosão. Todos estão em choque achando que foram os hostis. Você precisa começar a confiar em mim.

BEN – Eu... não tinha nada para eu passar o tempo... eu achava que... seria divertido... Annie e eu...

HOMEM [interrompendo] – Annie disse que foi tudo culpa dela e que você não tem nada haver com isso. Mas pelo visto, ela omitiu algo. Certo?

[Ben não respondeu e foi direto ao assunto.]

BEN – Não tem nada para eu me divertir nessa ilha. Eu adoraria poder sair quando quisesse igual a família de Tommy.

HOMEM – Bom, [ele se levantou e começou a vasculhar um armário cheio de gavetas] você é muito novo para entender tudo isso. É muito... complexo... para um garoto de 12 anos de idade. Você não entenderia o quanto este lugar é especial, nem que eu desenhasse.

BEN [sarcástico] – Ora, essa ilha não passa de uma porção de terra rodeada por água com alguns cientistas malucos fazendo experiências tolas. Ops, quase que esqueço! Também têm uns nativos que querem nos pegar e nos comer!

[O homem ficou sério.]

HOMEM – Não insulte a Dharma. O Projeto não tem outro objetivo além de mudar o mundo e o tornar um lugar melhor para vivermos. E o mesmo para a Ilha. Se você tivesse idéia do que esse lugar realmente é, não estaria reclamando em viver aqui. Eu sou presidente, dono, e responsável pela Dharma, e acredite em mim, [falou sussurrando] se eu estivesse na sua idade, acharia o mesmo. [deu uma risada simpática]

[O homem achou uma fita de vídeo nas gavetas com o título “Orientation – The Island”.]

BEN – Desculpa.

HOMEM – Mas, se você concordar, [ele voltou para a poltrona] durantes esses próximos anos, eu posso lhe mostrar o quanto esse lugar é especial. Sem ninguém mais saber. Eu lhe garanto que você vai se apaixonar imediatamente pelo poder dessa Ilha.

[O homem encarou Ben por um tempo.]

BEN – Sr. Widmore, desculpe, mas... isso é somente uma ilha! O quê tem de tão especial nela?

[O homem se revela ser Charles Widmore.]

WIDMORE – Isso não é uma ilha qualquer. [ele ligou a televisão e injetou a fita] Espere até descobrir o quê realmente é.

[Ben olhou atenciosamente para o vídeo.]


Tempo Real

CABANA DE JACOB – NOITE

[A tela fica escura. É possível ouvir uma voz ecoando.]

VOZ – Acorde, Benjamin!

[Uma vista embaçada que se clareia aos poucos.]

VOZ – Acorde antes que seja tarde demais.

[Ben geme. Abre os olhos e se depara com Christian lhe observando. Ben se

assusta e se levanta rapidamente.]

CHRISTIAN – Graças a Deus!

[Ben olha em volta e descobre que está na cabana de Jacob.]

BEN – Onde está Jacob? Quem é você?

HOMEM – Meu nome é Christian.

BEN [ainda assustado] – Onde está Jacob?

CHRISTIAN – John Locke, em pessoa, veio aqui agora pouco e o libertou. [Christian se vira, pega um pote de vidro cheio de um pó cinza e colocou encima da mesa. Ben pareceu surpreso.]

BEN – “Em pessoa”... Em que ano estamos?

CHRISTIAN – Não se preocupe com isso, você não sofreu nenhuma alteração no tempo.

[Ben ficou mais calmo com essa afirmação, se sentou numa cadeira e tirou o casaco.]

CHRISTIAN – Sinceramente, acho que deveria se preocupar mais quando Jacob voltar. Encontrei você desmaiado na floresta. Trouxe pra cá sem que ele o visse.

BEN – Bom, Christian, acabei de fazer um enorme favor a Jacob. Não devo me preocupar com ele.

CHRISTIAN – Não nas circunstâncias atuais. [ele riu.] Vamos ao que interessa.

[Christian se sentou.]

CHRISTIAN – Hanseem está aqui na Ilha.

[A expressão confiante de Ben mudou para um Ben assustado. Ele se levantou rapidamente e olhou através da janela a mata escura.]

BEN – Hanseem está morto! Eu o vi morrer! Do quê você está falando?

CHRISTIAN – Você repetiu tanto essa mentira que passou a acreditar nela também. Ambos sabemos que você não conseguiu matá-lo. Jacob está ciente disso.

BEN – Como você sabe que ele está vivo?

CHRISTIAN – Eu o vi dias atrás. Jacob estava junto.

[Ben ficou mais preocupado. Olhou para o quadro de um cachorro e ficou observando tentando se concentrar.]

BEN – Quem é você, afinal? Como sabe de tudo isso?

CHRISTIAN – Você sabe muito bem de onde eu vim.

[Ben calou-se. Christian mudou de assunto.]

CHRISTIAN – Enfim, Benjamin, acho melhor você correr enquanto pode.

BEN – Não preciso fugir, está tudo sob controle...

CHRISTIAN – “Tudo sob controle”? “Está tudo sob controle”, Benjamin? Você aprisiona Jacob e mente para seu povo que está tudo sob controle! John Locke cai novamente na Ilha, e continua tudo sob controle? Hanseem está vivo, Widmore manda um cargueiro para roubar a Ilha de volta, e você ainda se atreve a dizer que está tudo sob controle? Você é obrigado a mover a Ilha nas circunstâncias atuais e ainda afirma que está tudo sob controle? Confie em mim, Benjamin, Jacob está furioso com você. Ele saiu agora para te achar, e quando ele achar, eu que não desejarei estar na sua pele.

[Ben preocupado, corre em direção a um armário e saca uma arma.]

BEN – Precisarei da sua ajuda, Christian.

CHRISTIAN – Não irei batalhar com você. [Ben fica surpreso] Desde que assumiu o trono nessa Ilha, só aconteceram desgraças. Você acha que protege a Ilha, porém mata pessoas inocentes, mente, manipula as pessoas como marionetes, você é uma desgraça, Benjamin. É muita sorte a Ilha ainda estar intacta.

BEN – Não irá batalhar comigo. Só preciso adiantar meu tempo. Preciso que minta para Jacob que eu fugi para O Templo. O seu destino não...

CHRISTIAN [interrompendo] – Não me venha falar de destino, Benjamin, você destruiu com o seu e com os de todos à sua volta. Burke, Alpert, Rom, Stanhope, Bakunin, Pickett, Klugh, Rousseau, Dawson, Widmore, reconhece o que essas pessoas têm em comum?

[Ben carregou a arma.]

BEN [ironizando] – Pessoas tolas, fracas, e incapazes de lutar por um bem maior.

[Ben andou em direção à porta.]

CHRISTIAN [gritando] – A guerra apenas começou, Benjamin!

BEN [não lhe dando ouvidos] – Minta para Jacob!

[Ben sai, porém Christian continua gritando.]

CHRISTIAN – A guerra pela Ilha apenas começou, Benjamin!


ACAMPAMENTO - NOITE [Juliet sentada abraçando seus joelhos observando a fogueira em silêncio. Sawyer se aproxima e lhe entrega uma Cerveja Dharma. Juliet não desvia o olhar do fogo.]

JULIET – Comemorando algo?

[Sawyer riu.]

SAWYER – Nunca jogou “Eu Nunca”?

JULIET [rindo] – Bons tempos de faculdade.

[Juliet pega a latinha e abre. Finalmente desvia o olhar para Sawyer, que sentados, brindam.]

JULIET – Bom, como eu sei algumas coisas da sua vida, vou focar no pessoal. [e olha para Sawyer com um olhar malvado.]

SAWYER – Confie em mim, nisso você é boa...

[Juliet deu umas gargalhadas.]

JULIET – Eu nunca deixei de cumprir uma promessa.

[Os dois se entreolham. Nenhum bebe. Sawyer fica pensando no que dizer.]

SAWYER – Eu nunca matei alguém por acidente.

[Juliet ficou séria. E depois de um tempo bebeu.]

SAWYER – Vai me dizer que você...

JULIET [interrompendo] – Beba logo, Sawyer.

[Sawyer, surpreso, bebeu.]

JULIET [rindo] – Eu nunca me apaixonei.

[Sawyer deu uma risada. Juliet riu logo em seguida.]

JULIET – Foi o quê eu pensei...

[E bebeu um gole. Sawyer ficou observando Juliet, e então, depois de pensar por um tempo bebeu um gole também. Juliet ficou encarando Sawyer como se não o reconhecesse.]

SAWYER – O que é?

[Juliet ri.]

SAWYER – Vamos animar um pouco! [Muda de posição e fica de frente pra Juliet.] Eu nunca planejei a morte de alguém.

[Juliet e Sawyer beberam. Juliet ficou pensando.]

JULIET – Eu nunca flertei alguém casado.

[Sawyer bebeu um longo gole. Juliet riu e bebeu junto. Ficaram um tempo observando o fogo. Em silêncio, Sawyer olhou para o mar. Juliet seguiu o olhar dele, e ambos ficaram esperando algo surgir no horizonte.]

SAWYER – Eu nunca inventei de fazer uma brincadeira qualquer como desculpa para tentar esquecer algo.

[Juliet encarou Sawyer.]

SAWYER – Ou alguém.

[Juliet voltou a olhar para o fogo. Ninguém falou nada. Logo em seguida, Juliet terminou a latinha. Sawyer ficou olhando para o horizonte, e então bebeu. Os dois ficaram em silêncio olhando para o fogo.]

JULIET – Onde você acha que eles possam estar agora?

SAWYER – Em algum lugar melhor que aqui.

JULIET – Você realmente acha que parar aqui, nesta ilha, foi tão ruim quanto parece?

SAWYER – Do quê você está falando?

JULIET – Você, pelo visto, sabe do que eu estou falando.

[Os dois observam o vale.]

JULIET – É, James Ford... temos muita coisa em comum.

[Close nos rostos dos dois.]


ACAMPAMENTO DOS OUTROS - MANHÃ

[Uma tomada no alto mostra Os Outros se preparando para migrar novamente da floresta. A tomada seguinte é de Richard e Locke conversando dentro de uma barraca. Ambos sentados. Richard com a mão no queixo, sustentando sua cabeça.]

LOCKE – E foi isso que aconteceu. [Richard olhou para John como se esperasse um final menos incompreensível] Ben moveu a Ilha, e o resto você sabe.

[Richard ficou pensando, tentando se lembrar de algo.]

RICHARD – Antes disso ele não mencionou Jacob? Widmore? Ou Hanseem?

LOCKE – Certamente não.

[Richard riu.]

RICHARD – Ótimo.

[Ele saiu da barraca. John o seguiu.]

LOCKE – Para onde nós vamos agora?

RICHARD [andando] – “Nós”? Depende a quem você estiver se referindo. O restante do grupo vai pro sul encontrar Hanseem. A propósito, esqueci de te informar. [ele pára de andar] Temos uma “visita”, aqui na Ilha.

LOCKE [irônico] – Hanseem? Veio de que parte do mundo para cá?

RICHARD [rindo] – Não fale assim. É uma “visita” que a Ilha esperou por muito tempo. Como eu ia dizendo, eles vão para o sul, e nós, eu e você, vamos nos separar do grupo por um tempo indeterminado.

LOCKE – Se separar? Pra onde?

[Richard olhou em volta.]

RICHARD – Encontrar Ben. A história é meio longa, te conto no caminho.

[E se afastou. Locke ficou observando Richard sair, em seguida olhou para o acampamento ao seu redor. Ele olhou para o céu, e em seguida se dirigiu a barraca onde estava. E como se tivesse previsto, começou a chover.]


[Ben corria na floresta e parou para descansar, se apoiando numa árvore. Enquanto retomava o fôlego, olhou para aquela área da floresta e a reconheceu. Teve um flashback.]


Flashback

[Ben adolescente está caminhando com Richard pelo acampamento d’Os Hostis escondido da Dharma.]

RICHARD – Como que está a situação lá com eles?

BEN – Eu estou conseguindo tirar a informação dele. Widmore quase todo dia me acorda cedo para eu conhecer mais sobre a Ilha.

RICHARD – Ninguém suspeita de nada, certo?

BEN – Bom, Annie me pergunta aonde eu vou todas essas “tardes de sábado”.

RICHARD – “Annie”?

[Ben se calou. Richard se desapontou.]

RICHARD – Ah, não, Ben! Por favor, você está traindo seu povo faz quatro anos, a hora da purgação está chegando, não deixe que uma garota acabe com o plano.

BEN – Não se preocupe, isso não é problema.

RICHARD – Espero. Widmore já disse quando irá viajar?

BEN – Ele voltará para a Inglaterra daqui alguns meses, e ficará lá, sem data prevista para retornar. Disse que talvez voltará daqui 20 anos, para averiguar as condições do Projeto.

RICHARD – Então, descubra onde está Hanseem antes que ele vá!

BEN – Todo dia ele me acorda pra me explicar a história da Ilha. Com certeza chegará uma hora que eu vou descobrir.

RICHARD – Ótimo! Seja mais indiscreto.

BEN – Eu ser mais indiscreto? Vocês invadiram uma estação deles e eu tive que assumir a culpa! Isso é ser indiscreto?

RICHARD – Em compensação, conseguimos o que queríamos. Olhe, volte em breve, mas não faça nenhuma besteira. Annie não precisa saber que você é um traidor. E engane Widmore. Eu sei que você é capaz.

[Ben olhou para Richard feliz com o comentário. A cena muda para Ben entrando em sua casa e encontrando seu pai, os pais de Annie, e outras pessoas na sala.]

ROGER [aliviado] – Finalmente você apareceu!

BEN – Pai? O que está acontecendo?

[Widmore surge de dentro do quarto segurando um bilhete.]

WIDMORE [para Roger] – Eu converso com ele.

[Widmore puxou Ben para a cozinha da casa. Ele colocou o bilhete encima da mesa. Estava escrito a frase “Ela sabe demais”.]

WIDMORE – Benjamin, faz idéia o que significa o nome “Hanseem”?

BEN [mentindo] – Eu... não. Nunca ouvi esse nome.

WIDMORE – Nenhum livro fala sobre Hanseem. Chegou a hora de você saber quem é Hanseem. Pois um dia você irá matá-lo. [Ben pareceu surprese com Widmore, que dizia friamente essas palavras para um garoto de apenas 15 anos. Ele se aproximou de Ben] Sua amiga, Annie, infelizmente não teve sorte com ele.

BEN – Cadê ela?

[Widmore pareceu confuso.]

WIDMPORE – Encontramos esse bilhete... [fez uma pausa] no bolso dela.

BEN – Por que vocês estariam revistando suas roupas?

WIDMORE – Porque ela morreu.

[Widmore tentou não ser tão frio, mas a expressão que surgiu no rosto de Ben fez com que ele se arrependesse de ter contado.]

WIDMORE – Sinto muito, Ben. [Widmore abraçou Ben que ainda estava em choque] Sinto muito mesmo.

[Tomada do rosto de Ben, ao ser abraçado por Widmore. Ben não demonstrou emoção, porém, tinha um olhar de desespero.]


Tempo Real

[Tomada de Locke e Richard caminhando na chuva.]

LOCKE – Então, Richard... quem é Hanseem?

[Richard demorou pra responder.]

RICHARD – Hanseem foi o primeiro dono da Ilha. O único náufrago do navio Black Rock que continuou vivo até hoje. Era apenas um jovem na época. Uma época que aqui viviam muitos nativos. Esses nativos o proclamaram dono da terra. Ele nomeou a Ilha de Utoppialand. Nunca gostei desse nome. [risos] Enfim, o sonho de Hanseem sempre foi ter um filho, porém aqui nessa Ilha, isso seria impossível.

LOCKE – Impossível?

RICHARD – As mulheres grávidas não conseguem dar a luz aqui. Quando sua mulher, uma nativa chamada Izabel, morreu ao tentar dar a luz, Hanseem se tornou um assassino. Passou a seqüestrar crianças no feto. Mas essas crianças sempre morriam, junto com as mães. Porém, o primeiro milagre aconteceu! Teve uma mulher, Beatriz Vetra, que conseguiu ter um filho. [ele olhou para Locke] Seu nome era Jacob.

[Locke ficou surpreso.]

LOCKE – Jacob nasceu aqui?

RICHARD – Foi o único que nasceu aqui. Porém, [Richard voltou a caminhar] Beatriz escondeu Jacob de Hanseem e se matou, pois não aceitaria seu filho nas mãos de um assassino. Jacob cresceu sozinho nessa Ilha. Um dos poucos que pode afirmar que nasceu na Ilha. Jacob foi uma criança especial. O único que, de fato, foi concebido e nasceu na Ilha. Hanseem passou grande parte de sua vida tentando achá-lo, pois se ele havia nascido aqui, ele era mais especial. Porém, nenhum humano é capaz de achar Jacob. Ele é... diferente. Desde que ele habita nessa Ilha, milagres acontecem. Pessoas doentes ficam sadias. Paraplégicos voltam a andar, estéreis a reproduzir. “Deus ama você como amou Jacob”.

LOCKE – “Amou”?

RICHARD – Jacob, que queria tomar a Ilha, desejava ver Hanseem morto. E as pragas começaram a vir sobre Jacob. A pior e mais duradoura foi a Iniciativa Dharma. Charles Widmore, o residente, tinha um tumor na coluna. E quando seu tumor desapareceu, se encantou com o poder da Ilha. Junto com a Fundação Hanso e com os DeGroots, fundou a Iniciativa Dharma. Com o objetivo de descobrir o potencial dessa Ilha e aplicar no mundo exterior, pois assim, supostamente “salvaria o mundo”.

LOCKE – Deixa-me adivinhar. Então, Jacob estava competindo a Ilha com Hanseem e Widmore. E mandou Ben trair a Dharma, para descartar um dos inimigos, certo?

RICHARD – Exato. A Iniciativa Dharma deveria falhar seu objetivo, pois o que fazia a Ilha curar quem pisasse nela era o próprio Jacob. Jacob, nosso líder, pediu para que exterminássemos a Dharma. Ben nos ajudou. E, em seguida, mandou matar Hanseem.

LOCKE – Espera aí. Jacob mandou matar Hanseem, pois só assim se tornaria o dono da Ilha?

RICHARD – Exatamente.

LOCKE – Mas... Hanseem está vivo!

RICHARD – É aí a parte mais incrível da história. Da mesma forma que ele usou Ben para servir de espião com a Dharma, usou Ben para matá-lo. Eu estava presente nesse dia.

LOCKE – Ben teve coragem para matá-lo?

RICHARD [surpreso com a pergunta] – Ora, John! Não foi você que acabou de afirmar que ele está vivo?

[Locke fez uma expressão como se tivesse falado sem pensar.]

RICHARD - Desde esse dia, Benjamin nunca mais foi o mesmo. Todos deveriam achar que Hanseem estava morto, por que só assim Jacob conseguiria ser o dono da Ilha. Ben mentiu para Jacob. Ontem, quando você libertou Jacob daquelas cinzas, você não fazia idéia quem havia o prendido, certo? [Richard esperou alguma dedução de Locke, porém nenhuma] Benjamin Linus.

LOCKE [interessado pela história] – Mas... por que Ben prenderia Jacob?

RICHARD [rindo] – Você não conhece Benjamin Caldwell Linus. Ele fez isso por que o sonho daqueles olhos azuis, [olhou para Locke] é ser o dono definitivo dessa Ilha.

[No acampamento, Sawyer comia uns Amendoins Dharma™ enquanto observava Miles e Charlotte discutindo. Não estava mais chovendo.]

SAWYER – Posso saber por que o hamster está brigando com a chinchila? [os dois olharam para Sawyer] Jack não está aqui pra gritar com vocês, mas ainda não confio em você, Hamtaro.

MILES – Não é da sua conta, Jerry.

[Miles saiu dali.]

CHARLOTTE – Não liga pra ele. Ele sempre foi assim.

SAWYER – Discutindo relação, huh?

CHARLOTTE – Ele quer saber onde Frank e Daniel estão agora.

SAWYER – Maravilha, todos nós também! Que milagre vocês não saberem algo. [Sawyer riu]

[Miles se aproximou com sua mochila nas costas e entregou uma à Charlotte.]

MILES – Se não tivesse pulado do helicóptero poderia responder.

SAWYER – Hey, onde pensam que vão?

[Miles e Charlotte começam a andar em direção à floresta.]

MILES - A nossa missão foi pro brejo, mas ainda podemos encontrar Benjamin Linus.

[Sawyer colocou os Amendoins numa prateleira com os produtos do Suprimento da Dharma.]

SAWYER - Essa eu não vou querer perder. [gritou para eles] Me esperem! Vou com vocês!


[Ben pára para beber água num riacho. Ouve a voz de Richard.]

RICHARD – Olá, Ben!

[Richard e Locke surgem da floresta. Ben se levanta. Os dois se aproximam de Ben.]

BEN – Richard! [olhou para Locke] Eu não esperava vê-los novamente.

LOCKE – Então... encontramos Ben, e agora?

RICHARD – Vamos ajudá-lo. Os Outros chegarão aqui em breve.

[Locke olhou desconfiado para Richard. Ele estava mentindo! Richard lhe retribui um olhar para ficar calado.]

BEN – Richard, preciso que me ajude. Pelo visto, você já sabe. Todos já sabem. Hanseem voltou e irá matar Jacob, Jacob irá me matar, e temos que proteger John de Hanseem.

LOCKE – Me proteger?

BEN – É o único John que eu conheço nesta Ilha.

LOCKE – Mas... Por que me proteger de Hanseem? Eu nunca o vi!

BEN – Porque no momento [Ben suspirou, como se mal acreditasse que estaria afirmando aquilo] a Ilha é sua.


Flashback

[A mesma cena do episódio 3x20, logo após a Purgação, Os Outros entram na Vila com máscaras, vários corpos no chão.]

RICHARD - Devemos buscar o corpo dele?

BEN - Não, deixe-o lá. [eles ficam calados por um tempo] Meu pai não é digno de uma cova coletiva.

RICHARD – Tudo bem. Chegou a hora, Ben. [põe a mão no ombro de Ben]. Você está pronto?

[Ben suspirou.]

BEN – Eu preciso fazer isso no dia do meu aniversário?

RICHARD – Jacob nos pediu. Widmore já descartaremos quando movermos a Ilha. Ele nunca mais retornará. Já Hanseem só há uma forma de detê-lo. Nós o pegamos, porém Jacob quer que você o faça. Lembre-se, matou pessoas inocentes e tentou te matar várias vezes. Ele é seu inimigo. Hoje quando você for dormir, Ben, você não será mais o mesmo.

[Ben encarou Richard. A cena muda para Richard guiando Ben na floresta. Era à tarde.]

RICHARD – Ele está logo ali, amarrado na árvore.

BEN [irônico] – Jacob quer que eu o mate com quantos tiros?

RICHARD [rindo] – Você tem trabalho a fazer, Ben. A salvação da Ilha está nas suas mãos.

BEN – Ou na minha arma?

RICHARD - Vou mover a Ilha, enquanto isso. Te encontro dentro de alguns minutos.

[Ben vai andando até a árvore onde se encontrava um adulto com os braços e as pernas amarradas. Tinha cabelos brancos e ondulados, aparência de 40 anos.]

HANSEEM [nota a presença] – O que você quer, Benjamin?

BEN – Uma conversa, talvez?

HANSEEM – Uma conversa?

[Ben se sentou.]

BEN – Tenho uma mensagem para você. Eu não quero mais ser seu inimigo, Hanseem. Você sabe tanto quanto eu que você quer me ver morto depois de tudo que eu te fiz nesses últimos anos.

HANSEEM – Bingo.

BEN – Acontece, que a única coisa que quero no momento é justiça. Você matou pessoas inocentes. Pessoas do meu povo. E isso não passará em vão. Mulheres grávidas, crianças. Você matou Annie!

[Ben se levanta e saca uma arma no pescoço de Hanseem.]

BEN – Você é um assassino! Quer tanto ter um filho? Sorte pra você na próxima vida!

HANSEEM – Você não tem coragem.

BEN - Acredite, esperei anos por esse momento, Hanseem.

[Ben mira a arma no coração de Hanseem. Se prepara, e quando vai apertar o gatilho, Hanseem consegue se desamarrar e se joga pra cima de Ben, que atira diversas vezes pro céu. Ben consegue se levantar e chuta o corpo de Hanseem. Ele, porém, consegue derrubar Ben, e sai correndo. Ben, no chão, pega sua arma e atira várias vezes, porém, Hanseem desaparece nas matas.]

BEN – Droga!


Tempo Real

[Juliet estava pegando frutas na floresta, perto do acampamento. Ela ouve sussurros. Então, surgem vários Outros guiados por Harper na mata.]

JULIET – Harper?

HARPER – Olá, Juliet.

JULIET – O que vocês estão fazendo aqui? Perto do acampamento deles?

HARPER – Estamos te convidando para assistir de camarote a vingança que a Ilha esperou durante anos. Finalmente aqui será um lugar calmo.

JULIET [irônica] – E que milagre seria esse?

[Harper encarou Juliet.]

HARPER – Hanseem está vivo.

[Juliet ficou séria]

HARPER – Está aqui na Ilha, vivo. No comando da Ilha. Você virá conosco para vê-lo.

JULIET – Espere, vou pegar minhas coisas.

HARPER – Não temos tempo. Richard e John já estão com Ben.

[Juliet ficou pálida ao ouvir o nome de Ben.]

JULIET [sussurrando] – Vocês vão trair Ben?

HARPER – Não temos outra escolha. Ele roubou a Ilha. Essa Ilha pertence a Hanseem e pronto. Chega de Charles, Jacob e Benjamin. Chegou a hora da salvação dessa Ilha.

JULIET – Jacob irá matá-lo!

HARPER – E por que você acha que estamos tão ansiosos por esse dia?

[Juliet e Harper se entreolharam. Juliet ri.]

JULIET – Estou com vocês.


[Locke, Richard e Ben estão caminhando na floresta.]

LOCKE – O que você quer dizer com a Ilha ser minha?

BEN – Jacob poderá te explicar. Para ser mais exaro, só em ver Jacob, você entenderá tudo.

LOCKE [para Richard] – Do que ele está falando?

RICHARD – Acho que esqueci de mencionar você na história.

LOCKE – Então?

RICHARD – Nos tempos atuais, desde que caiu aqui na Ilha, Jacob escolheu você para ser o... “herdeiro”.

LOCKE – Mas eu nunca o vi. Quando fui na cabana, só encontrei uma cadeira vazia. Eu nunca o vi!

[Close do rosto de Ben.]

BEN [com um tom de inveja na voz] – Acredite, você com certeza já o viu.


Flashback

[Uma tomada de Ben conversando com Richard na estufa da Estação Orquídea. Ambos sentados em cadeiras.]

RICHARD – Estou muito desapontado com você, Benjamin.

BEN – Ele foi pra cima de mim, não tinha como matá-lo!

[Richard parece bastante desesperado.]

RICHARD – Não se preocupe. Direi a todos que você o matou e queimou o corpo.

BEN – Mas, e se ele aparecer? Ele ainda é o dono da Ilha. Jacob me matará se mentirmos!

RICHARD – Ele não aparecerá, pois sabe que todos irão contra ele. Todos irão querer matá-lo. A não ser que esteja bastante forte para lutar pela Ilha novamente. E se um dia ele voltar, [Richard pareceu preocupado] você terá que tomar muito cuidado com Jacob.

[Ben concordou.]

RICHARD – Mas esqueça isso. Vou agora mover a Ilha para Widmore não retornar.

[Richard se levantou.]

BEN – Posso ver? Ir com você?

[Richard pareceu surpreso com a permissão.]

RICHARD – Claro.

[Ben segue Richard em direção ao elevador.]


Tempo Real

[Na floresta, um homem que estava sentado numa rocha, conversava com Vincent. Não é possível ver o rosto.]

HOMEM – Venha cá, garoto! Isso! Garoto esperto!

[Pessoas discutindo podem ser ouvidas.]

SAWYER – Do que diabos você está falando? A vila deles é pra lá!

MILES – Eu fui raptado por eles, sei exatamente onde é!

CHARLOTTE – Por favor, gente, cooperem!

[Sawyer, Miles e Charlotte surgem na floresta discutindo.]

SAWYER – Pra sua devida informação, China Box, eu também fui raptado.

[Eles param quando percebem o homem. Close do rosto de Sawyer.]

SAWYER – Locke? O que aconteceu com você?

HOMEM [ainda sem revelar o rosto] – Eu não sou John Locke.

[O homem fica em pé e estende a mão para Sawyer. Vincent começa a latir. Então, seu corpo é revelado. O homem tem aspectos físicos semelhantes a John Locke. Porém mais velho. Vestia roupas sujas e rasgadas.]

HOMEM – Meu nome é Jacob Vetra, é um prazer conhecê-los, mas quem são vocês?


L O S T


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